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Corrupção virou banalidade

por Carlos A. Barbosa | agosto 13, 2007 | Hora postada: 7:00

Assim como cenas de sexo na TV, a corrupção virou uma coisa banal no Brasil. Ninguém mais fica estarrecido com as denúncias, quase que semanais, de casos de corrupção envolvendo principalmente a classe política. O Executivo e o Legislativo estão na vala comum. Mas o Poder Judiciário não foge a regra, vide o ministro Paulo Medina, do STJ (Superior Tribunal de Justiça), acusado de vender sentenças. Contudo existem os homens de bem e os escroques. O fato é que ser corrupto nesse país virou sinônimo de esperteza e “burro” é aquele sujeito que não se deixa corromper.

Podres Poderes, como diz uma música de Caetano Veloso. É assim que os três poderes estão sendo vistos pela sociedade, indignada e ao mesmo tempo cética porque não vê nenhuma medida eficaz capaz de colocar os corruptos na cadeia. O Ministério Público faz sua parte investigando. A Polícia, por sua vez, prende. Mas, aí vem a Justiça e solta. Pronto: Tudo fica como dantes no quartel de Abrantes.

E a corrupção não fica só na esfera federal. Atinge também as esferas estaduais e municipais. É como se fosse uma epidemia se alastrando pelo país. Se tornou uma coisa comum o desvio de dinheiro público, o recebimento de propina, o poder de influência para obter algum tipo de ganho no setor público, enfim, são várias as situações de corrupção envolvendo os poderes constituídos.

Parafraseando o presidente Lula, “nunca se viu na história desse país” tanta corrupção. Talvez pela abertura que o processo democrático oferece aos meios de comunicação, as denúncias estão vindo à tona em maior escala. O certo é que o brasileiro já “acostumou-se” ao noticiário negativo na mídia envolvendo casos de corrupção e ficou imune. Nada mais o surpreende. A não ser quando um cidadão comum encontra uma gorda soma em dinheiro e devolve ao seu dono. Isso passou a ser o tipo de notícia que pode até sugerir uma boa manchete de jornal ou uma chamada de telejornal, dependendo da soma envolvida, por ser uma coisa, digamos, inusitada quando era pra ser uma coisa comum.

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