Geral

Ao colega jornalista Alex de Souza

Com todo o respeito ao jornalista Alex de Souza, a quem conheço e tenho apreço, até por ser filho de um grande amigo e também jornalista, Carlos de Souza, contemporâneo de bancos de faculdade, devo dizer que por ter tido o meu nome citado em um artigo escrito por ele – Alex – sob o título “Sobre blogs e jornalistas”, me sinto no dever de esclarecer algumas coisas.

Em primeiro lugar, não se trata de está com “raivinha”, mas apenas a título de discordar do que ele disse e colocar o que penso. Não me considero um “blogueiro”. Aliás, acho até essa palavra muito chula. Blogueiro necessariamente não é um jornalista, como eu, ele e o seu pai somos. Qualquer um pode fazer um blog, não é o meu caso, pode ter certeza. Sou jornalista com diploma, assim como Carlos de Souza o é, e Alex de Souza também, embora ele – Alex – opine que para ser jornalista necessariamente não tenha que ter diploma. Pena que só tenha pensado isso após formado. Sua vaga poderia ter sido de outro jornalista.

Outra: O jornalista Alex de Souza afirma que “a necessidade de se ‘produzir conteúdo’ cada vez mais rápido para alimentar blogs, portais e quetais vem matando a galinha dos ovos de ouro ideológico do jornalismo: o ‘compromisso com a verdade dos fatos’”.

E completa:

– Que fatos: aqueles repassados pela assessoria sobre um assunto que você nem entende, nem tem tempo de ir atrás de alguém que lhe explique o que significa? Ou aquele que explode na sua caixa de e-mail ou do outro lado do seu celular e que você precisa publicar o quanto antes, mas o ideal seria levantar seu rabinho da cadeira e dar uma volta para verificar a informação?

Sem redundância, mas isso não é verdade. Por acaso uma informação que conste no site do Tribunal de Justiça, do Ministério Público ou do Tribunal de Contas, que com a velocidade da internet se antecipa a mídia nativa, deixa de ter credibilidade? É preciso tirar o “rabinho da cadeira” para checar se a informação tem veracidade, neste caso?

Uma informação que conste no meu blog, outro exemplo, e que os jornalistas Ricardo Noblat, Luís Nassif e Luiz Carlos Azenha venham a publicar em seus blogs deixa de ter o “compromisso com a verdade dos fatos”, se sequer eles tiraram o “rabinho da cadeira”, ou ao menos enviaram e-mail para checar a informação? Aliás, publicações minhas e de Daniel Dantas Lemos, outro jornalista blogueiro, e citado também no texto do jornalista Alex de Souza, já foram publicadas por estes jornalistas e não foram desmentidas depois. É bom ressaltar!

O jornalista Alex de Souza coloca ainda que “no geral, há, no clubinho dos profissionais da imprensa, uma visão negativa e excludente em relação aos blogs de cunho jornalísticos e àqueles que os fazem mesmo sendo de fora da turma. No RN, essa animosidade contra o BG (blog de Bruno Geovani) e o comportamento institucional do sindicato da categoria são indícios desse comportamento.  Talvez seja uma reação ao ambiente de instabilidade e incerteza instaurado pela explosão do acesso às redes digitais. O mais evidente deles é em relação à receita que mantém os veículos e paga o salário da galera. Se esse dinheiro for parar em outros cantos e se pulverizar, quem vai segurar a onda?”

Sobre isso devo dizer que não faço jornalismo de secos e molhados. Sempre pautei a minha vida profissional ao longo de quase 30 anos de labuta na ética e na seriedade. Quem me conhece, caso do jornalista Carlos de Souza, com quem tive a grata oportunidade de trabalhar no Diário de Natal, sabe perfeitamente disso.

No entanto, esclareço ao nobre jornalista Alex de Souza, que certamente não me conhece tão bem quanto o seu pai, que mantenho o meu blog com parcos anúncios privados. Aliás, desde que criei o blogdobarbosa a política foi a de não aceitar anúncios institucionais, pois se quisesse com toda certeza os teria. Como penso que jornalismo que não incomoda é chapa branca, daí adotar essa política. Portanto, não temo nenhum “ambiente de instabilidade” na blogosfera, se essa instabilidade depender de dinheiro público. E nem de dinheiro privado. Passei os primeiros três anos do blog sem nenhum anunciante. O blog vai fazer cinco anos em agosto.

Quanto a posição do Sindicato dos Jornalistas entendo que está no direito de defender a classe. Se fulano ou cicrano mantém um blog e não é jornalista, é blogueiro, por que o sindicato deveria defendê-lo?

Ah, antes que esqueça. Todos os dias posto um Editorial – que não é release – sobre determinado assunto que acho interessante falar. Entendo o blog como um canal de discussão, até porque a internet proporciona isso, a interatividade com o leitor. Também devo dizer que como jornalista mantenho minhas fontes. O que escrevo, a depender do assunto, e como manda a regra do bom jornalismo, ouço pelo menos três fontes.

Quanto a produzir conteúdo ou entulhar conteúdo não preciso provar nada a ninguém, até porque não tenho mais idade pra isso.

Em tempo: Grifei o nome jornalista propositadamente, só para reforçar

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