Editorial

Aos poucos a farsa para incriminar Lula vai se desmoronando. Parte 3

Tenho dito aqui que aos poucos a farsa para incriminar Lula vai se desmoronando. Veja agora, caro leitor, sem trocadilhos: a revista Veja publicou neste fim de semana que os preparativos da Polícia Federal para cumprir a ordem de prisão contra Lula já estão planejados. O trabalho para o “Dia D” da Lava-Jato – como tem sido chamado na corporação – é sigiloso e envolve 350 agentes, avião e apoio da Polícia Militar.

Afirma a reportagem que ciente do peso da biografia do alvo, a PF quer evitar erros cometidos em ações anteriores, para não vitaminar o discurso de Lula segundo o qual ele tem sido vítima de uma caçada judicial. Já foi acordado, por exemplo, que não haverá o uso de algemas nem de camburão. A Polícia Federal espera deter o petista em sua casa em São Bernardo do Campo (SP) e listou cinco locais onde o ex-presidente pode começar a cumprir sua pena na Lava-Jato.

Ora, se a operação é sigilosa, como a Veja já obteve estas informações? Estranho, muito estranho, não?

Não só isso, a reportagem de capa da publicação que chegou às bancas na sexta-feira (2) revela esquema montado no Ministério do Trabalho que envolve o deputado Jovair Arantes (PTB-GO). A capa diz que o partido “arrastou o governo Lula para o escândalo do mensalão”, e que o “enredo se repete agora no governo Temer”.

A reportagem mostra também uma conversa gravada pelo empresário gaúcho Afonso Rodrigues de Carvalho no ano passado com dois lobistas pedindo R$ 4 milhões em troca de um serviço junto ao Ministério do Trabalho, que só será realizado porque, além da propina, quem manda no pedaço é o deputado Jovair Arantes, líder do PTB na Câmara e aliado do presidente Michel Temer.

Como se observa, houve ou não houve golpe para tirar Dilma do governo e alijar Lula dos próximos embates eleitorais? Como costumo dizer, o script está sendo cumprido a risca num conluio jamais visto neste país varonil.

E mais:

No depoimento à CPMI da JBS, o advogado Tacla Durán, ex- Odebrecht, trouxe um conjunto de denúncias importantes com documentos,  extratos,  perícias, que mostram evidências de possíveis ilegalidades nas investigações da Lava Jato. Passados quase três meses, nenhuma providência foi tomada ainda pela Procuradoria-Geral da República.

Uma das denúncias feitas por Tacla Durán revelou o chamado “esquema Zucolotto”, que põe em xeque os acordos de delação premiada da Lava Jato.

Durán apontou o advogado Carlos Zucolotto – amigo próximo do juiz Sérgio Moro e ex-sócio de sua esposa, Rosângela Moro – como intermediador do seu acordo de delação com o Ministério Público.

O ex-funcionário da Odebrecht disse ainda que o padrinho de casamento do casal Moro foi autor de uma proposta de redução de US$ 10 milhões na multa a ser cobrada de Durán, caso ele fizesse um pagamento “por fora” de US$ 5 milhões.

Em suas denúncias, Tacla Durán fala em tráfico de influência. Afirma que um escritório de um amigo do peito do Moro foi propor a ele benefícios da delação, que diminuíam o preço da multa de R$ 15 milhões para R$ 5 milhões e modificavam o regime de prisão – de fechada para domiciliar. Ele também fala da destruição de provas, da alteração de provas no âmbito da Lava Jato. Tudo isso é muito grave. Envolve juízes e procuradores e tem que ser investigado.

Detalhe: o deputado Jovair Arantes foi o relator do impeachment de Dilma.

E então, o script tá ou não tá sendo cumprido a risca? Primeiro o golpe, depois o alijamento de Lula da política.

A capa de uma Edição Especial da CartaCapital traduz tudo!

A conferir!

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