Editorial

Brasil, o país onde as pessoas se tornaram intolerantes

Há cerca de três anos e meio publiquei neste canto de página um Editorial sob o título “Sem insanidade nem ira” onde dizia que a insanidade tomou conta da discussão sobre política neste país. Para alguns, não todos, claro, o governo Dilma e por tabela Lula e o PT, viraram uma espécie de um câncer em processo de metástase. E ai daquele que ousar, sequer, já não digo nem defender, mas se contrapor aos argumentos defendidos por estes que acreditam que a roubalheira neste país varonil teve início nos governos petistas. (clique aqui para ler)

Pois muito bem, caro leitor: passados quase quatro anos da minha publicação percebo que o acirramento como resultado da eleição de Dilma Ruosseff (PT) não arrefeceu, ao contrário, os ânimos ficaram mais calorosos a ponto de parlamentares e até magistrados se utilizarem de redes sociais para destilar seus venenos contra aqueles (as) que defendem as minorias neste país varonil.  Fato é que o Brasil passou a ser um país intolerante, onde as pessoas não admitem que as opiniões de outrem prevaleçam sobre as suas.

Faço um parêntese aqui para me reportar o que ocorreu em Bagé (RS), onde a caravana do ex-presidente Lula esteve. Lá, ruralistas sanguessugas das tetas do governo, sempre conseguindo perdões de suas dívidas, patrocinados pelo Agronegócio da Globo (vide propaganda constante Agro é isso, Agro é aquilo) agrediram Lula com faixas e palavras chulas como se fossem donos da cidade. Se fosse o MST em alguma ação contra os ruralistas seria tachado de terrorista, vagabundo, anarquista. Mas é o Agrenegócio$. Aí pode, né?

Veja a que ponto chegou o acirramento dos ânimos. Uma desembargadora de nome Maria Castro Neves, do Rio de Janeiro, postou nas redes sociais o seguinte:

“Voltando para casa ouvindo a voz do Brasil (…)

Apuro os ouvidos e ouço a pérola: o Brasil é o primeiro país a ter uma professora portadora de síndrome de down!!! Poxa, pensei, legal, são os programas de inclusão social… Aí me perguntei: o que será que essa professora ensina a quem?” (…)

Recebeu como resposta da professora Débora Seabra de Moura, a quem a desembargadora se referiu, a seguinte afirmação:

“Ensino as crianças a ter respeito pelos outros” 

Aliás, a desembargadora Maria Castro Neves já havia protagonizado, também nas redes sociais, outra infeliz narração. Segundo Maria Castro (bom frisar bem o nome dela) a vereadora Marielle Franco (PSOL-RJ), executada de forma vil no centro do Rio, “estava engajada com bandidos”.

No seu post no facebook, a desembargadora afirmou que o comportamento de Marielle, “ditado por seu engajamento político”, foi determinante para seu assassinato. Diz também que a esquerda tenta “agregar valor a um cadáver tão comum quanto qualquer outro”. Apesar das afirmações fortes, ela diz que nunca conheceu ou ouviu falar da vereadora antes do crime e que sua fonte de informação seria um texto enviado por uma amiga. Ah, sei!

Outro exemplo de acirramento fascista partiu de uma outra pseudo-autoridade que compartilha, nas redes sociais, notícias falsas sobre a vereadora Marielle Franco. Trata-se do deputado federal Alberto Fraga (DEM-DF). A exemplo da desembargadora fluminense Marilia Castro Neves, que classificou Marielle como “cadáver comum” e a acusou de aliança com o crime, Fraga escreveu no Twitter que a vereadora é “ex-esposa do Marcinho VP”, traficante que comandava o tráfico na zona sul do Rio, era “usuária de maconha” e “defensora de facção rival e eleita pelo Comando Vermelho”.

Como se observa, a intolerância chegou a tal ponto no Brasil que caminhamos para o fascismo, sobretudo, nas redes sociais, lamentavelmente.

Teve razão o jornalista italiano Umberto Eco quando disse certa vez:

“As redes sociais dão o direito de falar a uma legião de idiotas que antes só falavam em um bar depois de uma taça de vinho, sem prejudicar a humanidade. Então, eram rapidamente silenciados, mas, agora, têm o mesmo direito de falar que um prêmio Nobel. É a invasão dos imbecis”

Foto reproduzida da Internet

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