Editorial

Cadê as ruas que se calaram?

Lamentável que o brasileiro não vá as ruas para pedir o impeachment do presidente golpista Michel Temer, mesmo sob as evidências de corrupção em seu governo onde nem ministros escapam. No vale-tudo para escapar da segunda denúncia da PGR (Procuradoria Geral da República) na Câmara, Michel Temer já mexeu em R$ 12 bilhões dos cofres públicos; valor inclui, entre outras coisas, alívio de dívidas e multas e liberação de emendas — sem contar o que foi negociado entre cargos e benesses de valor inestimável, como a mudança no combate ao trabalho escravo; só de emendas parlamentares pagas desde o início de setembro foram R$ 881 milhões. Mas houve ainda uma frustração de receita com o novo Refis, estimada até o momento em R$ 2,4 bilhões; a desistência de privatizar Congonhas no ano que vem, cuja outorga era estimada em R$ 6 bilhões, e, por fim, a possibilidade de abdicar de R$ 2,8 bilhões com a anistia de parte das multas ambientais prevista no decreto editado na última segunda-feira.

O saudoso deputado Ulysses Guimarães já dizia que “político só tem medo do povo nas ruas”. E é verdade! Como o povo não está nas ruas protestando contra o descaso do governo golpista, Michel Temer faz o que pode para se manter no poder com medo de ser julgado e ir para o xilindró. Por enquanto tem a proteção do Congresso Nacional a custa de muito dinheiro público.  Cadê os panelaços nas varandas gourmets que na época de Dilma chamavam a atenção do Jornal Nacional? Cadê o Pato Amarelo que patrocinou o golpe contra a petista? E olha que a Globo dia sim outro sim tem noticiado os escândalos do governo golpista. Mas o brasileiro parece satisfeito com a corrupção. Ou seria o medo do PT voltar ao governo? Sim, porque o povo, pelo o que dizem as pesquisas de intenção de voto, Lula será novamente presidente da República. Se os golpistas deixarem, claro e óbviamente! Mas a elite comandada por empresários e ruralistas e a classe média metida a besta tem ojeriza a isso. Não querem nem ouvir falar nessa possibilidade, que de fato existe, ou seja, do metalúrgico virar outra vez presidente da República.

Mas voltemos a Temer: o site da Época divulgou  que uma planilha apreendida na sede da empresa JBS, em São Paulo, registra a existência de uma conta corrente com 64 nomes que teriam recebido recursos da empresa. Dentre eles, o presidente Michel Temer (PMDB). A planilha teria sido encontrada pela Polícia Federal dentro de uma pasta no gabinete de Wesley Batista – um dos proprietários da empresa – no dia 11 de maio de 2017. Temer aparece como tendo recebido no dia 2 de setembro de 2014  “crédito” de R$ 1 milhão, segundo as anotações.  A data associada a Temer bate com as informações prestadas, por meio de delação premiada, pelo lobista Ricardo Saud. É o mesmo dia que o doleiro disse ter determinado o pagamento, desse mesmo R$ 1 milhão, ao então vice-presidente.

A inércia do brasileiro, digo, da classe média metida a besta, não deixa que se vá as ruas protestar contra um presidente golpista e corrupto. Aliás, Temer é o primeiro presidente da República a ser denunciado por organização criminosa e obstrução de Justiça no exercício do cargo. A denúncia foi apresentada pelo ex-procurador da República, Rodrigo Janot. Nesta segunda-feira (23), prestes a ser julgado pela Câmara dos Deputados em relação à denúncia apresentada por Janot , Michel Temer condecorou a chefe do órgão, Raquel Dodge, com a Ordem do Mérito Aeronáutico. Detalhe: Dodge foi indicada por Temer para substituir Janot. Tudo a ver!

E o povo nas ruas, cadê?

A conferir!

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