Artigo

Data venia, senhores, me dou o direito de me proteger contra os germes do arbítrio

por Carlos Alberto Barbosa

O que vou dizer não é mais novidade pra ninguém neste Brasil Varonil, e que tem me levado a repetir inúmeras vezes. O nosso país pós-reeleição de Dilma se tornou literalmente dividido com as pessoas perdendo o bom senso, sobretudo, nas discussões políticas. Parecem bandos de insanos e procedem assim os ignorantes, irresponsáveis, incautos e os que jamais chegariam ao poder a não ser mediante um golpe.

Reproduzo aqui o que disse certa vez o jornalista Ricardo Noblat:

Maldito o tempo das vivandeiras de quartéis. Assim eram chamados nos anos 50 e 60 do século passado os políticos e civis em geral que assediavam os chefes militares para que interrompessem o Estado de Direito.

Mil vezes um governo do PT eleito pela maioria dos brasileiros do que uma ditadura acanhada ou deslavadamente assumida. Só quem não viveu durante uma ditadura para admitir seu restabelecimento.

Digo isso porquanto a insanidade tomou conta de grupos em redes sociais onde amigos se digladiam e colegas de profissão – no caso jornalistas – trocam farpas em nome de uma democracia que na prática deixa de existir, já que democracia pressupõe a convivência dos contrários.

Me reporto agora a outro jornalista, desta vez a Luís Nassif. Disse ele em artigo escrito em março de 2017:

– A questão principal posta consiste em entender as razões mais profundas da sanha persecutória e declarada de destruir não só a figura política, mas a figura simbólica de Lula. É verdade que o golpe tem uma estratégia de dois momentos, sendo que o primeiro consistiu no afastamento de Dilma e, o segundo, na tentativa de inviabilizar a candidatura Lula em 2018. As elites brasileiras querem o controle absoluto do Estado e do orçamento para atender os seus interesses.

Mas a destruição da figura política e simbólica de Lula vai para além desse objetivo. Chega as redes sociais e ultrapassa os limites da sanidade, visto que as agressões verbais, que muitas vezes distanciam amizades, perderam o controle. Eu mesmo, como jornalista e cidadão, já deixei de frequentar alguns grupos de amigos para não ter que desfazer a amizade.

Mas não só isso! O leitor de hoje que não só ler jornais impressos, mas lê sobretudo sites e blogs, e ainda ver telejornais, ficou radical e dependendo do lado em que esteja não aceita a opinião contrária. É como se fosse um clássico de futebol. Um FlaFlu. A política fez escola no futebol, diria hoje, se vivo fosse, o escritor e jornalista Nelson Rodrigues.

Como jornalista e articulista recorro ao também jornalista Vitor Orlando Gagliardo que uma vez escreveu no site Observatório da Imprensa o seguinte:

– O jornalista precisa ser imparcial!’ A teoria dita, o clichê copia e qual a reação da sociedade? Ela entende, aceita, é enganada ou não se manifesta? Outro questionamento: por que o jornalista precisa ser imparcial?

Começarei pelo último questionamento. Acredito que a resposta precisa ser contextualizada. Sendo assim, acredito que o jornalista precisa ser imparcial. Só que não acredito em imparcialidade nos dias atuais, sobretudo nos grandes veículos de comunicação. Alguém se arrisca em apontar a revista Veja ou a CartaCapital, por exemplo, como imparciais? Pelo contrário, elas adotaram suas posições político-ideológicas, sendo a primeira de direita e a segunda de esquerda. Mas, no fundo, perguntem aos editores dessas duas publicações e eles jamais assumirão as posições de suas revistas. 

O que questiono é o motivo pelo qual os editores não admitem suas posições. Por que um veículo é imparcial? Para levar a informação da forma mais verdadeira e honesta para seu leitor, telespectador, ouvinte ou internauta. Porém, se ele esconder sua parcialidade não estará transmitindo uma notícia com interesses escusos escondidos? Não seria, então, mais honesto com seus públicos e com a sociedade que seu editorial fosse revelado? Seria uma forma, inclusive democrática, de interagir com seu público. Acredito que a maior parte dos públicos saiba que o veículo esteja sendo parcial. Mas creio que muitos não saibam e estejam sendo enganados. Assim, acredito que o mais correto seja que os veículos assumam sua postura: se for imparcial, que a mantenham; se for parcial, que a identifiquem.

Concluindo, digo que é importante dizer que como jornalista quando escrevo estou dando a minha opinião, caberá ao leitor concordar ou não com ela. Por fim, jornalista não é pra agradar a ninguém, se não for assim não é jornalista.

PS: faço citações para contextualizar o meu pensamento

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