Economia

Demissões na Empiricus fazem CEO e ex-funcionários lavarem roupa suja no Twitter

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por Alexandre Aragão

A Empiricus, empresa de análise de investimentos famosa por sua estratégia de marketing agressiva, demitiu nos últimos dias quatro de seus analistas mais conhecidos. Isso deu início a uma lavagem de roupa suja no Twitter e no Facebook.

Num dos pontos mais chocantes da discussão, uma das demitidas acusou a Empiricus de obrigá-la a incluir, contra a sua vontade, a recomendação de compra de ações de uma construtora.

A Empiricus vende assinaturas de newsletters, análises do mercado financeiro e sugestões de investimentos. Seus analistas também costumam usar as redes sociais para dar recomendações de papéis e fundos.

O analista Ricardo Schweitzer, que trabalhou até o final de fevereiro na Inversa Publicações — empresa que tem sócios em comum com a Empiricus —, publicou tuítes sobre o assunto.

“Lançar uma corretora [a Empiricus confirmou, em 2017, interesse na possibilidade de comprar ou montar uma corretora] depois de sete anos bradando que análise e corretagem não podem se misturar é dar um tapa na cara de cada assinante”, escreveu Schweitzer.

Ele também publicou um email, omitindo quem o enviou, em que o interlocutor pede que o analista faça propaganda de um novo produto da Inversa, chamado Clube dos 5.

“A ideia é escrever dois ou três parágrafos convidando os seus assinantes para ver o documentário O Segredo de 5 Milhões”, diz a mensagem. Antes da demissão, Ricardo se recusou a fazer a propaganda.

“Marink Martins convida você a integrar agora o Clube dos 5, para atingir R$ 5 milhões em cinco anos, ou até antes, com a estratégia formadora de milionários em Wall Street”, diz um locutor no vídeo citado na mensagem.

Caio Mesquita, CEO da Empiricus, respondeu na mesma moeda — pelo Twitter. Sem citar nomes, ele escreveu: “Infelizmente a vitimização contaminou as novas gerações, enquanto caráter, lealdade e gratidão tornam-se cada vez mais raros”.

“Temo pelo futuro”, escreveu.

Sócio da Inversa Publicações, mas não da Empiricus, Pedro Cerize também foi ao Twitter abordar a polêmica e citou Schweitzer: “Ricardo já não escrevia o [relatório] Top Shot há alguns meses. Deixava a cargo de seu assistente”, escreveu.

Outra analista demitida da Empiricus, Ariane Gil, publicou um texto após sua saída em que deixava de recomendar a compra de ações da Tecnisa e afirma ter sido pressionada a falar dos papéis, também sem citar nomes de quem a teria pressionado.

“Este sempre foi um call um tanto controverso, acompanhado por gatilhos dubitáveis. Uma dor de cabeça desde agosto do ano passado. Não fosse pela espontânea e escabrosa pressão vinda de cima para adicionar o papel à carteira com imediatismo, certamente seria rechaçada pela carência de consistência dos fundamentos à época”, ela escreveu.

Em nota, a empresa nega.

Marilia Fontes, que assinava uma das newsletters da Empiricus, publicou um texto no Facebook, mas sem críticas diretas à empresa. “Por conta das semanas finais da minha gravidez, não sei o quanto estarei online nas redes”, ela escreveu.

Alguns dos analistas demitidos já haviam sido punidos pela Apimec, entidade que representa e faz a autorregulação da atividade de analistas e profissionais de investimentos no Brasil.

Os casos incluem desde oferecer “garantia de retorno”, ao misturar recomendações de investimento com emails de marketing, até imprecisões que geravam risco à integridade de participantes do mercado. Na primeira dessas ações, também foi punido com suspensão de 30 dias Felipe Miranda, um dos principais sócios da Empiricus.

O BuzzFeed News entrou em contato com Schweitzer, Gil, Fontes e Bruce Barbosa (outro demitido), mas nenhum deles quis dar entrevista.

Em nota, a Empiricus culpou os demitidos pelo próprio desligamento, mas se recusou a dar detalhes: “Não comunicamos as causas das demissões dos funcionários por respeito a eles próprios. Quanto às alegações dos demitidos, elas são totalmente inverídicas”.

Em um post no site da empresa, a Empiricus anunciou que o economista Alexandre Schwartsman substituirá Marilia Fontes nas análises sobre renda fixa.

 

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