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FHC depõe como testemunha de defesa de Lula em processo que investiga sítio em Atibaia

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O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso depôs nesta segunda-feira (11) em fórum da Justiça Federal em São Paulo como testemunha do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva no processo que investiga a propriedade do síto de Atibaia, no interior de São Paulo.

Fernando Henrique foi ouvido por vídeoconferência ao juiz Sérgio Moro no processo que corre no âmbito da Operação Lava Jato. A audiência estava marcada para ocorrer há duas semanas, mas foi adiada devido à greve dos caminhoneiros. O depoimento durou cerca de meia hora e na saída da sala de audiência, ele não deu detalhes do depoimento, mas afirmou que foi “prazeroso” e que sentiu confortável em responder às perguntas.

Questionado pela defesa de Lula, Fernando Henrique reafirmou declaração de depoimento anterior em que disse que o presidente da república não tem condições de saber de tudo.

“Existe degraus de distância de responsabilidade. O presidente é responsável por quem nomeou. Depois lá dentro você não tem nem tempo de saber, agora no Brasil as pessoas pensam que o presidente pode tudo e sabe de tudo.”

Ao citar a Casa Civil, ele afirmou que sempre considerou a necessidade de preservá-la. “A Casa Civil tem que ser pra alguém que seja capaz de levar adiante a administração porque o presidente não tem tempo suficiente para acompanhar o dia a dia dos ministérios. O chefe da Casa Civil é o chefe da administração em geral. Esse não é o título dele, mas, na prática, funciona assim”, detalhou.

No depoimento, entre outras questões, o ex-presidente falou da escolha dos conselheiros e diretores da Petrobras à época. “Eu procurei trazer para o conselho da Petrobras, pessoas representativas do mundo civil. Pessoas que eram influentes”, comentou. Sobre os nomes, ele afirmou que não se recorda completamente.

“Dos diretores da Petrobras, só houve uma exceção que não foi por indicação partidária, que eu me lembre”, contou.

Durante o depoimento houve uma discussão entre o juiz Sérgio Moro e o advogado de Lula, Cristiano Zanin, quando Moro citou uma suposta citação da defesa de Lula sobre reforma de propriedade de Fernando Henrique e valores que teria recebido por fora.

“Não estou dizendo que a defesa afirmou isto, estou dizendo que tem um contexto, então vamos perguntar isso nesse contexto”, disse Moro.

“Que Vossa Excelência colocou como sendo uma palavra da defesa”, disse Zanin.

“Não coloquei dessa forma, doutor”, retrucou Moro.

Após o fim do mandato, em 2003, FHC relatou que ele e sua equipe criaram um modelo de instituto e passou a realizar palestras. “Começou como instituto e hoje é uma fundação. É habitual que nos países mais desenvolvidos que os ex-presidentes tenham. Com a diferença de que aqui o apoio público não existe. Você tem que obter recursos para fazer a fundação funcionar”, explicou.

Sobre as palestras, FHC disse que as palestras são de utilidade pessoal e profissional. Ele disse que algumas são de graça e que algumas ele cobra um certo valor. FHC argumentou que considera o fato de falar quatro línguas como uma das vantagens das palestras.

Por fim, Fernando Henrique disse que o dono do Grupo Odebrecht, Emílio Odebrecht, levava questões de cunho social a ele, mas que todas eram única e exclusivamente pensando no interesse público.

O processo em questão investiga se Lula recebeu propina da Odebrecht em forma de reformas no Sítio Santa Bárbara, em Atibaia, no interior de São Paulo, atribuído a ele. Conforme denúncia do Ministério Público Federal (MPF), as melhorias no imóvel totalizaram R$ 1,02 milhão.

Na ação, o ex-presidente Lula foi denunciado por corrupção passiva e lavagem de dinheiro em maio de 2017 e se tornou réu na ação em agosto.

Lula nega as acusações e diz não ser o dono do imóvel, que está no nome de sócios de um dos filhos do ex-presidente. O ex-presidente afirma que todos os bens que pertencem a ele estão declarados à Receita Federal.

Lula está preso na sede da Polícia Federal em Curitiba, no Paraná, porque foi condenado em segunda instância em processo que envolve um triplex no Guarujá.

Foto: Henrique Barreto/Futura Press/Estadão Conteúdo

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