Artigo

Prenderam Lula só para impedí-lo de ser candidato. Somente isso!

por Carlos Alberto Barbosa

Parafraseando o economista Luiz Gonzaga Beluzzo, que em artigo recente afirmou que defender Lula é atitude de gente sensata, gente que sabe que o que está em jogo não é corrupção, apartamento triplex, sítio, pedalinho, nada disso. “O que está em jogo é o sistema democrático brasileiro”, explica o economista para então emendar: “Não é ser petista, é ser justo”.

Lula não está preso porque teria cometido algum crime. Lula está preso para que se evite que ele novamente se candidate à Presidência da República, porque correria o “sério risco” de se eleger, mais uma vez, derrotando a direita fascista que não consegue vencê-lo nas urnas. Isto é um fato!

O próprio Jornal Nacional, da Globo, admitiu isso nas entrelinhas, na noite de ontem, em reportagem sobre políticos investigados na Lava Jato, quando disse que no Supremo Tribunal Federal já tem 10 políticos na condição de réu, sendo 20 já denunciados e nenhum condenado, e que no Paraná, jurisdição do juiz federal Sérgio Moro, encarregado da Lava Jato, os processos levam cerca de seis meses entre denúncia e condenação.

O de Lula foi meteórico, até a sua prisão foi rápida. Moro decretou a prisão de Lula em menos de 20 minutos. A decisão foi tomada após o magistrado receber ofício do TRF-4 (Tribunal Regional Federal da 4ª Região) autorizando a prisão do petista. O despacho de Moro foi liberado às 17h50. O comunicado do tribunal foi expedido às 17h31, segundo a própria assessoria da Justiça Federal.

Ressalte-se que a decretação da prisão foi um dia após o Supremo negar por 6 a 5 o habeas corpus impetrado pela defesa do ex-presidente, para que a decisão sobre a prisão ou não do Lula só fosse decidida após trânsito em julgado. Ou seja, um placar apertado em que demonstrou claramente que os ministros estavam divididos quanto ao assunto, não tendo certeza absoluta sobre o pedido com base no que diz a Constituição Federal.

Como embasamento do que estou a falar, reporto aqui trecho da entrevista do presidente da Amazon (Associação dos Magistrados do Amazonas), juiz Cássio André Borges, que suscitou polêmica nas redes sociais ao afirmar que, se fosse o juiz do ‘Caso Triplex’, absolveria o ex-presidente Lula “em face da insuficiência de provas”. Professor de Direito, Cássio Borges afirmou que Lula nem pode ser condenado por corrupção passiva, já que não era servidor público quando, em tese, recebeu a vantagem indevida, nem por lavagem de dinheiro, já que a aquisição do apartamento não foi provada. Ele ainda criticou o colega Sérgio Moro.

Ao responder à provocação de um seguidor nas redes sociais, que questionou se Sérgio Moro, que condenou o ex-presidente Lula na primeira instância, errou e estaria a serviço de “golpistas”, Cássio Borges soltou:  “Já viste as audiências dele? O MP fala 20 minutos, e ele 5h. Aí o processo acusatório, que é o nosso sistema, desaparece e fica o processo inquisitório”.

Sobre a conduta de Moro, Borges completou:

“Se eu desse palestra sobre combate à corrupção, jamais julgaria esse tipo de crime, porque estaria contaminado intelectualmente pelas minhas convicções. E os réus já entrariam pré-julgados na minha vara! (…) Quem combate crime é polícia e MP. Juiz é o guardião das garantias constitucionais”.

Foto: Ricardo Stuckert/ Instituo Lula 

 

 

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