Artigo

Não se faz mais jornalismo como antigamente. Estamos na era dos releases e na combinação de foco de cobertura

Assistindo um documentário sobre a mídia na era da pós-verdade no canal fechado Philos TV, conforme já comentei – clique aqui para conferir – me deparei com duas coisas que já constatei e dito por grandes jornalistas da imprensa americana.

A primeira delas é que o jornalista passou a receber matérias prontinhas, com foto, legenda, lead correto, títulos interessantes, linha fina e até no padrão pirâmide invertida. A partir de então, o jornalismo deixou de investigar a informação, aceitou uma versão só dos fatos e ainda sempre favorável ao envolvido, o chamado release.

Aliás, quando muito, se utilizam da demanda que é enviada as assessorias de imprensa com perguntas pré-elaboradas. Poucos são os repórteres que ainda vão ao encontro do entrevistado para até questionar suas respostas. Dentre estes repórteres de jornal cito o colega e amigo Valdir Julião, do jornal Tribuna do Norte, que faz questão de olhar cara a cara o entrevistado. Julião é de uma escola a qual fiz parte.

A segunda coisa que observei no documentário e comentado pelos jornalistas ouvidos, é que os repórteres dos grandes jornais costumam combinar o lead das matérias. Como disse, já havia constatado isso há alguns anos. No espaço do Blog intitulado O Baú de um Repórter, relato um fato que presenciei ainda em 2009. Veja o link clicando aqui.

O jornalista americano Gay Talese, do New York Times, que participa do documentário, observou também que não houve mais fontes que insistam em ficar no anonimato. Para ele fonte tem nome e deve ser registrado na reportagem. Se não a matéria perde a credibilidade.

Como se observa, no jornalismo da era pós-verdade cabe a pergunta: a verdade é absoluta ou existem níveis de verdade?

Foto reproduzida de O Jornalista.com

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