Artigo

O absurdo dos absurdos está acontecendo neste Brasil varonil. Que país é este!

Um procurador, falo de Deltan Dallagnol, coordenador da força-tarefa que investiga a Lava Jato, posta nas redes sociais que “4ª feira é o dia D da luta contra a corrupção na #LavaJato. Uma derrota significará que a maior parte dos corruptos de diferentes partidos, por todo país, jamais serão responsabilizados, na Lava Jato e além. O cenário não é bom. Estarei em jejum, oração e torcendo pelo país”.

No mesmo dia, o juiz Marcelo Bretas, da 7ª Vara Federal do Rio de Janeiro e responsável pela Lava Jato no estado, retuitou a mensagem e endossou o jejum do procurador: “Caro irmão em Cristo, como cidadão brasileiro e temente a Deus, acompanhá-lo-ei em oração, em favor do nosso País e do nosso Povo”.

Como bem disse  a pré-candidata do PCdoB à Presidência da República, Manuela D’Ávilla, também nas redes sociais, respondendo a Dallagnol e por tabela a Bretas, citando a Bíblia, “quando jejuardes, não vos mostreis como os hipócritas… Tu, porém, quando jejuardes, unge a cabeça e lava o rosto, com o fim de não parecer aos homens que jejuas, e sim ao teu Pai, em secreto” (Mt 6.16-18).

Nesta terça-feira (3), eís que o Estadão publica uma reportagem no mínimo intrigante. O general da reserva Luiz Gonzaga Schroeder Lessa teria afirmado que, se o Supremo Tribunal Federal deixar o ex-presidente Lula solto, estará agindo como “indutor” da violência entre os brasileiros, “propagando a luta fratricida, em vez de amenizá-la”.

E mais: o general de “pijama” teria dito ainda que se o tribunal permitir que Lula se candidate e se eleja presidente, não restará outra alternativa do que a intervenção militar.

“Se acontecer tanta rasteira e mudança da lei, aí eu não tenho dúvida de que só resta o recurso à reação armada. Aí é dever da Força Armada restaurar a ordem. Mas não creio que chegaremos lá,” teria dito.

Com a sensatez que lhe cabe neste momento, o Exército informou que as declarações de Lessa representam a “opinião pessoal” dele. “O Exército brasileiro pauta sua atuação dentro dos parâmetros legais balizados pela Constituição Federal e outras normas que regem o assunto.” O STF disse que não se manifestaria sobre o caso.

Lamentável que fatos dessa natureza estejam acontecendo no Brasil. Isso depõe contra a democracia tão duramente reconquistada em nosso país. Ainda bem que a presidente do Supremo, ministra Cármem Lúcia, teve a altivez de em pronunciamento nesta segunda-feira (2), em cadeia nacional de televisão, dizer que ‘vivemos tempos de intolerância e de intransigência contra pessoas e instituições’.

Em tempo: dias atrás publiquei Editorial sob o título “Brasil, o páis onde as pessoas se tornaram intolerantes”, onde abordava exatamente isso que a ministra Cámem Lúcia falou em seu pronunciamento. Clique aqui para conferir.

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