Editorial

O perigo do discurso `nacionalista e ultra-conservador´ de Bolsonaro

O deputado Jair Bolsonaro, pré-candidato à Presidência da República pelo PSL, um partido nanico sem expressão nenhuma na política brasileira, tem a tiracolo um discurso “nacionalista e ultra-conservador”, o que tem levado a figurar em segundo lugar nas pesquisas de intenção de voto só perdendo para Lula, preso político do juiz federal Sérgio Moro. Mas isso não vem ao caso agora.

Fato é que Bolsonaro tem conquistado a simpatia de eleitores. Deputado federal desde 1990, o pseudo-nacionalista até pode ser interessante como presidente da República para um ou outro brasileiro, mas certamente ele não serve à toda nação. Para estes que o vêm como “Salvador da Pátria”, o militar da reserva transparece a “Ordem e Progresso” transcrito na bandeira brasileira, mas, no fundo no fundo trata-se de um entreguista das riquezas brasileiras, sobretudo, aos americanos. Ele mesmo já disse que sua política econômica consistiria em “se livrar das amarras do Mercosul” e, em um evento em Miami, onde prestou continência à bandeira norte-americana, afirmou que Donald Trump teria nele “um grande aliado no hemisfério sul”.

Mas o problema não está tão somente aí: Jair Bolsonaro é homofóbico assumido. A tônica de seu discurso tem sido declarações preconceituosas que demonstram claramente que um possível governo seu não atenderia a demanda de brasileiros negros ou indígenas, muito menos de brasileiras mulheres. Não é de hoje que o deputado dá declarações públicas puramente machistas, racistas e homofóbicas, sempre, é claro, amparado pela imunidade parlamentar.

Bolsonaro também é contra o trabalhador. Já demonstrou que, caso ganhe, não deve governar para a classe trabalhadora brasileira. O deputado já afirmou publicamente que o trabalhador teria que decidir entre “menos direito e emprego ou todos os direitos e desemprego”. Na prática, ele votou a favor da esdrúxula reforma trabalhista que teve como relator o deputado tucano Rogério Marinho (RN), outro algoz da classe trabalhadora, além de se abster, por medo, na votação pela terceirização (mas seu filho acabou entregando a posição da família ao votar favoravelmente).

O pior é que toda essa “credibilidade” depositada ao deputado Jair Bolsonaro por alguns eleitores incautos está, sobretudo, no seu discurso contra a violência. Ele já colocou que se eleito Presidente irá revogar o Estatuto do Desarmamento e que dará carta branca para o policial matar. Já ouvi gente dizer que vai votar nele porque com Bolsonaro “bandido bom é bandido morto”.

Caro leitor, sei que hoje a grande preocupação dos brasileiros é a questão da insegurança que reina em nosso país, Aliás, essa passou a ser a preocupação número um, ficando Saúde e Educação para segundo plano. Entendo perfeitamente essa razão de ser, contudo, o discurso de Bolsonaro não resolve o problema. Acaso ele sendo eleito, que espero que isso não aconteça, e se vier mesmo a colocar em prática o que apregoa, a situação só tende a piorar. Violência gera violência.

Muitos dirão: Barbosa qual a solução então para acabar com a bandidagem? Difícil responder. Bom seria que esse problema pudesse ser resolvido com educação, melhores condições de vida para os menos favorecidos, etc e tal. Mas, estaria aqui filosofando tal o grau que o crime organizado alcançou. Isso é um problema de Estado, sei perfeitamente disso, mas também não é agindo com truculência que a solução será encontrada.

Bom que se diga que a violência hoje é mundial. Se não se tem a violência urbana com quadrilhas especializadas, se tem o terrorismo, se tem as guerras civis, problemas estes que até hoje não foram resolvidos, ao contrário, se agravam ainda mais mundo afora.

É por isso que eu digo que o discurso “nacionalista e ultra-conservador “de Jair Bolsonaro é um engodo eleitoral. Só os incautos acreditam que o ex-militar irá solucionar todos os nossos problemas, inclusive, o da corrupção e acabar com o alto índice de criminalidade no país. Já nem digo que vou pagar pra ver, até porque como disse anteriormente, espero que ele não se eleja.

Financial Times sintetizou bem o que significa o militar da reserva:

– Para um eleitorado irado, o feroz Bolsonaro pode ser o candidato perfeito – uma granada humana sem o pino, pronta para ser jogado no sistema político moribundo do Brasil.

A conferir!

Foto reproduzida da Internet

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