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Wilma, a estrategista que somou amigos e inimigos na política

O Rio Grande do Norte perdeu uma política que exercia como ninguém a arte de negociar, quando o jogo de interesses estava em disputa. Wilma de Faria, primeira prefeita de Natal após a redemocratização do país, primeira deputada federal pelo Rio Grande do Norte e primeira governadora do estado fazia política como quem joga xadrez. Era uma estrategista.

Mas Wilma, apesar de ter carisma e dona de um capital eleitoral invejável, e certamente por ter o dom da estratégia também ganhou inimigos. Como não dava “murro em ponta de faca”, para usar um linguajar bem popular, Wilma também abarcou a pecha de “traíra” por parte de seus adversários. Não à toa Wilma de Faria esteve ao lado das oligarquias Alves e Maia enquanto lhe interessava. Quando não, descartava suas companhias. Foi assim como prefeita de Natal e assim como governadora do estado.

Dois dos mais conhecidos políticos do Rio Grande do Norte, ex-governadores e hoje senadores, José Agripino Maia (DEM) e Garibaldi Alves Filho (PMDB), tinham queixas da “guerreira” exatamente pelo seu comportamento de descartar aliados quando estes não mais a interessava politicamente, como se isso fosse um dom só dela.

Contudo, o capital eleitoral que Wilma de Faria detinha a fazia forte politicamente capaz de enfrentar as oligarquias. Nunca se deixou abalar pela fama de “traíra” imposta por seus adversários e sempre foi à luta mesmo nos momentos difíceis de sua carreira política quando, por exemplo, perdeu a cadeira do Senado para a hoje senadora Fátima Bezerra (PT). Na eleição seguinte, sem a vaidade de quem já tinha sido governadora, disputou uma cadeira na Câmara Municipal do Natal se elegendo vereadora para poder fortalecer o seu grupo político para novos embates. Resistiu ao câncer o quanto pode, e morreu como uma “guerreira” na última luta que travou.

Wilma de Faria foi quem acabou com a dicotomia na disputa por cargos majoritários no Rio Grande do Norte, sobretudo para prefeitura do Natal e para o governo do Rio Grande do Norte, quando antes as disputas se resumiam entre as família Alves  e Maia ou seus apadrinhados político. Ela quebrou esse tabu.

Entre o povo o seu nome também se dividia. Os que a consideravam “guerreira” idolatravam Wilma. Os que admiram Alves e Maia a consideravam traíra. Fato é que a política do Rio Grande do Norte ganhou um divisor de águas após a eleição de Wilma para a prefeitura do Natal e depois para o governo, onde exerceu dois mandatos seguidos.

Há de se dizer que Wilma, a estrategista, somou amigos e inimigos na política papa-jerimum.

Foto reproduzida da internet

 

 

 

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