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As seis capitais brasileiras que concentram 45% das mais de 34 mil mortes causadas pelo novo coronavírus [1] iniciaram planos de flexibilização da quarentena nesta semana. Especialistas, no entanto, apontam negligência nessa iniciativa. Observam que, embora prefeituras e governos estaduais usem como argumento a queda das taxas de ocupação em UTIs, as curvas de casos e de óbitos estão ascendentes.
Nesta quinta-feira (4), o Brasil bateu novo recorde com a confirmação de 1.471 mortes em 24 horas [2], segundo dados levantados pelo G1 com as secretarias de saúde dos estados.
A última capital a iniciar a flexibilização foi São Paulo, onde concessionárias e escritórios reabriram com atendimento limitado a 4h por dia [3] nesta sexta-feira (5).
Na segunda-feira (1°), Belém [4], Fortaleza [5], Manaus [6] e Recife [7] começaram a aplicar seus planos de abertura gradual.
E, na terça-feira (2), o Rio tomou as primeiras medidas para sair da quarentena. Entre as medidas de afrouxamento do isolamento social na cidade [8] estão atividades esportivos nos calçadões e no mar, além do funcionamento de lojas de móveis e decoração e de concessionárias de automóveis.
Nessas seis cidades já foram confirmadas mais de mil mortes pela Covid-19, e todas elas ainda apresentam curvas ascendentes de casos e mortes, mas as prefeituras argumentam que o número de mortes diárias está desacelerando e que a lotação dos leitos de UTI está estável ou baixando. Tais fatores justificariam o início de uma “abertura gradual”.
Há ainda outro agravante: Rio, Fortaleza e Recife estão na época de maior incidência de casos de síndrome respiratória aguda grave (SRAG) [9], segundo séries históricas do InfoGripe, sistema de monitoramento da Fiocruz.
A síndrome está associada à circulação dos vírus respiratórios, que costuma ser maior exatamente nesta época na maior parte do país.
Pesquisadores, infectologistas e outros profissionais de saúde que acompanham a pandemia do coronavírus desde o início defendem manter as regras de isolamento social por mais tempo para tentar segurar a curva de crescimento dos casos e mortes.