Terrorismo eleitoral não!
O candidato do PDT a prefeito de Natal, Carlos Eduardo Alves (PDT), tem todo o direito de criticar a prefeita Micarla de Sousa (PV), e até dizer que não quer o seu voto, mas daí fazer terrorismo com cunho eleitoral como fez ao declarar em entrevista à imprensa que “o funcionário público de Natal deve fazer uma reserva financeira, porque com o rombo financeiro e o caos administrativo da atual gestão, a prefeita não vai pagar os salários dos servidores até o final da gestão”, isso é um verdadeiro absurdo.
Se para ganhar uma eleição precisa fazer terrorismo algo está errado, ainda mais quando se fala hipotéticamente em assunto que mexe no bolso das pessoas, caso dos salários dos servidores públicos municipais. O que Carlos Eduardo Alves fez foi ilação. Não estou aqui defendendo a prefeita Micarla de Sousa nem a sua administração, pois se há um crítico da atual gestão é este escriba aqui, que aliás costumo chamar de “Gestão de Mídia”, tal é o uso da mídia com frequência pela nossa alcaidessa. Mas neste caso, acho que Carlos Eduardo Alves foi precipitado. Não é assim que ele vai conquistar o voto dos servidores públicos municipais.
Carlos Eduardo Alves vem dizendo no seu programa eleitoral e entrevistas à imprensa que o candidato do PMDB, Hermano Morais, hoje o seu principal oponente nesta campanha eleitoral, vem radicalizando e citou até seu primo, ministro Garibaldi Alves Filho, que segundo ele está patrocinando esse radicalismo, chegando até a chamar Garibaldi de “velho”. Tudo isso porque o programa eleitoral do peemedebista vem desmistificando a sua administração, quando prefeito de Natal. Ele – Carlos – considera isso radicalismo. E o que dizer do terrorismo eleitoral com o funcionalismo público que agora o pedetista faz?
O fato é que Carlos Eduardo Alves, por vir figurando sempre em primeiro lugar nas pesquisas de intenção de voto e agora vir caindo e Hermano Morais subindo, não se conforma com o novo quadro eleitoral. Observa-se uma certa tensão no candidato.
Ao inferir que pelo caos que se encontra a atual administração municipal os servidores devem se preparar para o pior no fim do ano, ou seja, que eles vão ficar sem receber os seus salários, Carlos Eduardo Alves não só está fazendo terrorismo eleitoral como também fazendo um pré-julgamento de que a prefeitura está arrasada e que, sequer, terá dinheiro em caixa para pagar o funcionalismo em dezembro.
Muitos têm criticado as posições que venho tomando em Editoriais em relação a Carlos Eduardo Alves. Digo que não tenho nada contra a sua pessoa, a quem conheço desde os tempos em que eu era repórter do Diário de Natal e ele deputado estadual. No entanto, faço ressalvas quanto ao candidato e sua campanha. Carlos Eduardo Alves está fazendo, repito, uma campanha olhando apenas no retrovisor, ou seja, comparando a sua administração à de Micarla de Sousa. Por esta comparação, e certamente aí está o fato de vir liderando as pesquisas de intenção de voto, a sua gestão foi melhor do que a de sua sucessora.
No entanto, fica a pergunta:
Se Carlos Eduardo Alves fez uma administração tão boa quanto o seu programa eleitoral prega, por que é que ele não elegeu a deputada Fátima Bezerra (PT) sua sucessora? E olha que no palanque de Fátima, além dele como prefeito na época, estavam lá o presidente Lula, a governadora Wilma de Faria (PSB) – hoje sua companheira de chapa -, o senador Garibaldi Alves Filho, o deputado federal Henrique Eduardo Alves, entre outros.
Falar é fácil, difícil é administrar. E se para isso é preciso apelar ao terrorismo eleitoral, melhor ficar onde está!