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A aproximação de Vorcaro com os Bolsonaros é antiga

Está no Intercept Brasil

Conversas privadas de Daniel Vorcaro mostram que o dono do Banco Master topou receber Jair Bolsonaro em sua mansão em Brasília, no fim de março de 2025, para “assistirem juntos” a um documentário. O banqueiro autorizou a organização do encontro um dia após o ex-presidente ter virado réu por tentativa de golpe.

A reunião era parte do plano para contar com o apoio de Vorcaro para financiar a produção de “Dark Horse” [1], filme que conta a história de Jair Bolsonaro. Mensagens obtidas com exclusividade pelo Intercept Brasil indicam que o senador Flávio Bolsonaro, do PL do Rio de Janeiro, e o deputado federal Mario Frias, do PL de São Paulo, sabiam do encontro.

Os registros mostram que Frias pediu para Thiago Miranda, fundador e sócio do Portal Leo Dias, fazer a ponte com Vorcaro. Os diálogos não permitem confirmar se o encontro, de fato, ocorreu. Mas o aval dado por Vorcaro expõe novos detalhes da estreita relação entre o clã Bolsonaro e o homem investigado pela maior fraude bancária da história do país.

Segundo os registros, Miranda sugeriu o encontro a Vorcaro por WhatsApp no dia 27 de março do ano passado. Os diálogos não informam o nome do filme, mas, na época, Frias já atuava como produtor de “A Colisão dos Destinos”, um documentário de cerca de 70 minutos sobre a trajetória do ex-presidente, que estreiou nos cinemas na quinta-feira [2], 14 de maio de 2026.

A troca de mensagens entre Miranda e Vorcaro ocorreu um dia depois de a Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal, o STF, ter decidido por unanimidade [3] tornar réus o ex-presidente Jair Bolsonaro e mais sete aliados [4] por tentativa de golpe de estado em 2022. Jair foi condenado seis meses depois, em 11 de setembro de 2025, a 27 anos e três meses de prisão [5] em regime fechado.

No registro obtido pelo Intercept, Miranda compartilhou com Vorcaro uma captura de tela de uma conversa com Frias. Nesse print, o deputado federal, que foi secretário de Cultura na gestão de Bolsonaro, afirma que o encontro “vai fazer mta diferença pro PR” – PR é uma sigla que bolsonaristas costumam usar para se referir ao ex-presidente Jair Bolsonaro.

A defesa de Jair Bolsonaro disse ao Intercept que ele não pode se manifestar porque está preso – e destacou que não tinha acesso ao ex-presidente porque as visitas dos advogados são restritas.

Em nota ao Intercept, Flávio Bolsonaro afirmou que “o referido encontro não aconteceu” e que não participou da organização da reunião. O senador disse, porém, que o “o objetivo da exibição do documentário era apresentar parte da história que deveria ser retratada no filme, sem qualquer outra finalidade política ou pessoal”. 

Flávio também negou ter “papel na organização de qualquer exibição” e afirmou que sua “interlocução com o banqueiro teve única e exclusivamente a finalidade de buscar investimento para o filme sobre a história” do meu pai”. Leia aqui a íntegra da resposta [6].

A defesa de Thiago Miranda também disse que a reunião não aconteceu, mas pontuou que a “ideia da proposta de encontro era apresentar ao investidor as linhas gerais do conteúdo do filme que é em parte a mesma história do documentário”. E destacou que Miranda “não desempenhou qualquer função na produção, divulgação e estratégia de lançamento”. Leia aqui a íntegra da resposta da defesa de Thiago Miranda [7].

A defesa de Jair Bolsonaro disse ao Intercept que ele não pode se manifestar porque está preso – e destacou que não tinha acesso ao ex-presidente porque as visitas dos advogados são restritas.

Em nota ao Intercept, Flávio Bolsonaro afirmou que “o referido encontro não aconteceu” e que não participou da organização da reunião. O senador disse, porém, que o “o objetivo da exibição do documentário era apresentar parte da história que deveria ser retratada no filme, sem qualquer outra finalidade política ou pessoal”. 

Flávio também negou ter “papel na organização de qualquer exibição” e afirmou que sua “interlocução com o banqueiro teve única e exclusivamente a finalidade de buscar investimento para o filme sobre a história” do meu pai”. Leia aqui a íntegra da resposta [6].

A defesa de Thiago Miranda também disse que a reunião não aconteceu, mas pontuou que a “ideia da proposta de encontro era apresentar ao investidor as linhas gerais do conteúdo do filme que é em parte a mesma história do documentário”. E destacou que Miranda “não desempenhou qualquer função na produção, divulgação e estratégia de lançamento”. Leia aqui a íntegra da resposta da defesa de Thiago Miranda [7].

‘Flavio e Mario me pediram isso’

Às 9h13 do dia 27 de março de 2025, Thiago Miranda encaminhou a Daniel Vorcaro uma captura de tela da sua conversa com Frias – e fez uma referência a Flávio Bolsonaro. “Flavio e Mario me pediram isso. Querem levar o presidente na sua casa para assistirem juntos com vc o documentário”, explicou.

Vorcaro respondeu de forma positiva, às 9h16: “Vamos marcar sim”. Na sequência, Miranda pediu ao banqueiro duas opções de data para a semana seguinte, conforme havia combinado com Frias – ou seja, a ideia era que o encontro ocorresse entre os dias 30 de março e 5 de abril.

As mensagens indicam que a articulação da sessão para ver o documentário envolvia diretamente Flávio Bolsonaro, Frias e Miranda, já identificado pelo Intercept como um dos principais intermediários entre Vorcaro e a família Bolsonaro. 

Na investigação publicada em 13 de maio [1], o Intercept mostrou que a negociação para financiar a produção do filme “Dark Horse” já era discutida com Vorcaro desde 2024. O banqueiro, preso em 17 de novembro de 2025 [8] ao tentar deixar o país, solto no final daquele mês [9] e detido novamente em março deste ano [10], é investigado por uma fraude que provocou um rombo estimado em R$ 47 bilhões ao Fundo Garantidor de Crédito, o FGC. 

As novas mensagens indicam que a tentativa de unir Jair Bolsonaro e Vorcaro na exibição reservada de um documentário, na casa do banqueiro, ocorreu simultaneamente à negociação do financiamento de outra produção audiovisual dedicada à história do ex-presidente.

‘Olhar de humanização’

O documentário “A Colisão dos Destinos” chegou aos cinemas na quinta-feira, 14 – ao contrário de “Dark Horse”, que não tem data de estreia prevista –, após uma exibição em Brasília, em 15 de abril [11], para convidados e deputados do PL. Depois disso, houve pré-estreias em cidades como Florianópolis, em Santa Catarina [12], em 9 de maio, Olinda, em Pernambuco [13], e Boa Vista, em Roraima [14], em 12 de maio, que reuniram apoiadores do ex-presidente. 

Havia uma expectativa de que Flávio Bolsonaro participasse pessoalmente nesta quinta-feira, 14, de uma sessão da estreia oficial do documentário – mas isso passou a ser incerto, segundo reportagem do Metrópoles [15], após a divulgação da investigação feita pelo Intercept.

Segundo a sinopse oficial, “A Colisão dos Destinos” busca oferecer um “olhar de humanização e contextualização” sobre o ex-presidente, por meio de relatos de familiares, amigos e aliados. O documentário é dirigido por Doriel Francisco, com roteiro assinado por ele e William Alves.

Foto reproduzida da Internet



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