Quem assistiu ontem no Jornal da Globo o comentário de Arnaldo Jabor sobre a briga entre a oposição e o governo para aprovar a prorrogação da CPMF [Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira], jura de pés juntos que Jabor é petista ou pelo menos lulista de carteirinha.
“Quem criou a CPMF? Foi uma obra do demônio? “, perguntou Arnaldo Jabor em tom irônico criticando os senadores do DEM por serem contra a prorrogação do imposto até 2011 como quer o presidente Lula.
Não estou aqui defendendo o Democratas, mas Jabor foi esfuziante na defesa da manutenção da CPMF, colocando que sem ela o Bolsa Família acaba, faltarão recursos para a Saúde, Educação, enfim, enumerou vários setores que sem o tributo fica difícil o governo liberar recursos.
Disse que quem criou o imposto foi o governo tucano de Ferrnando Henrique Cardoso, o qual o então PFL, hoje DEM, fazia parte, e não poupou críticas a legenda oposicionista, chegando até a zombar do nome. “Democratas, isso parece mais nome de agremiação carnavalesca”.
Acho que a defesa de idéias e propostas é salutar, faz bem a democracia. O que não se pode é debochar da posição dos contrários. A crítica, no meu modo de ver é salutar, desde que construtiva e embasada.
Quem conhece Arnaldo Jabor sabe da ironia que costuma fazer nos seus comentários, às vezes até em tom jocoso. Mas ontem o analista político do Jornal da Globo exagerou comparando o Democratas ao próprio demônio.
A CPMF, como ele mesmo lembrou, foi criada no governo FHC como um tributo provisório, como o próprio nome da diz, inclusive, com críticas severas de Lula e do PT que na época faziam oposição ao governo. Agora, que está no poder Lula e o PT mudaram de discurso. Isso no mínimo é uma incoerência.
No comentário de Arnaldo Jabor ele dá a impressão que defende que a CPMF seja permanente, ou pelo menos que vigore até o final desse governo. Mas se pensarmos que o próximo governo, seja ele do PT ou não, resolver continuar cobrando o tributo, alegando os mesmos argumentos que o atual governo alega, o que será de nós pobres contribuintes já tão massacrados com os inúmeros impostos que somos obrigados a pagar?
O governo alega que sem a CPMF vai deixar de arrecadar R$ 40 bilhões/mês para serem aplicados em programas sociais. Pergunto: E se a CPMF não existisse, como o governo iria bancar esses programas? Fica aberta a discussão.