Outro dia li uma entrevista da coordenadora geral do Sinte (Sindicato dos Trabalhadores em Educação do RN) Fátima Cardoso, no Diário de Natal, em que ela dizia que “nós chamamos a atenção do governo de um currículo que seja associado não só ao desenvolvimento da área de conhecimento do aluno, mas que ele traga para o aluno um conjunto de ações pedagógicas que desenvolvam a sua capacidade intelectual.
Dizia ela que “quando nós cobramos do governo os laboratórios é porque isso deve fazer parte do currículo, pois aí nasece a iniciação científica do aluno. Não cobramos os laboratórios de infomática para a sala de aula. Nós queremos esses laboratórios com pessoas capazes de operar com salas próprias, e o aluno fazendo a pesquisa e estudando”.
Me impressionou Fátima Cardoso pela maneira que ela abordou o assunto educação, ressaltando que o Rio Grande do Norte não tem um projeto para o setor. Alí não estava falando uma sindicalista, mas sim uma educadora conhecedora do problema que nós enfrentamos. Segundo ela, o governo desenvolve apenas projetos pontuais no setor educacional não estando relacionados às práticas pedagógicas, colocando que quando se tem a sala de aula, falta o equipamento, que é o computador. Quando tem a sala e o computador, falta pessoal técnico, e que na maioria das escolas só tem um computador funcionando, e assim mesmo na direção.
Isso reflete a nossa educação e responde por que nós somos o lanterna no ensino de 1ª a 4ª séries do fundamental. É preocupante saber que o Estado só deve alcançar a meta do MEC para o Índice de Desenvolvimento da Educação (Ideb), que é a nota 6 a ser atingida nos próximos 14 anos, somente em 2031.
Uma projeção feita pelo Instituto Nacional de Estatísticas e Pesquisas Educacionais (Inep/MEC) mostra que, dos 26 estados da federação e mais o Distrito Federal, 18 vão precisar de pelo menos dois anos além de 2021 para alcançar esse índice nas turmas de 1ª a 4ª séries. Em alguns casos, como Alagoas e Rio Grande do Norte, a nota só seria atingida pelo sistema público de ensino em 2031.
Nenhum dos 26 estados brasileiros nem o Distrito Federal alcançam hoje uma nota no Ideb de 1ª a 4ª séries superior a 5 pontos – e apenas o Paraná chegou a essa pontuação. Cinco deles têm médias inferiores a 3 pontos, sendo que Bahia, Rio Grande do Norte e Piauí são os que estão nos últimos lugares, com média de 2,6 pontos.
Daí a preocupação da professora Fátima Cardoso, que na qualidade de sindicalista, ao se referir a greve dos professores, afirmava que “as muitas lutas acumuladas provocavam a repressão, mas parece que não mudou muito. A repressão continua, sendo um ponto típico ainda de governantes que entendem a democracia como tutelada, sem movimentação social, e acabam por deixar de fazer e assumir seus compromissos para exercerem pressões remanescentes da ditadura militar”.