Cada vez mais me convenço de que a política é mesmo dinâmica. Não faz muito tempo a governadora do Rio Grande do Norte, Wilma de Faria (PSB), taxava o senador Garibaldi Alves (PMDB, hoje presidente do Congeresso Nacional, de “cacique”. Agora afaga-o de elogios. É realmente impressionante a mudança de comportamento da governadora em relação ao senador peemedebista. Mudou da água para o vinho. O que estará por trás disso? Será que é só mesmo uma aliança em prol do desenvolvimento do estado? Não acredito, sinceramente. Isso serve apenas como retórica de discurso.
Não me agrada o jeito de fazer política da professora Wilma de Faria. Não que tenha nada contra a sua pessoa, mas ela não costuma cumprir com os seus compromissos, e o cumprimento da palavra é uma das maiores qualidades que o ser humano pode ter, independente de ser político ou não. Mas temos que reconhecer que Dona Wilma é uma estrategista. Ninguém nesse estado sabe jogar o jôgo político melhor do que Wilma de Faria. Ela faz política como quem joga xadrez. Pensa antes de dar qualquer passo.
Wilma já botou no “bolso” o deputado Henrique Eduardo Alves (PMDB) e os senadores Garibaldi Alves e José Agripino Maia (DEM). Conseguiu intrigar a família Alves, trazendo para o seu lado o prefeito de Parnamirim Agnelo Alves e o prefeito de Natal Carlos Eduardo Alves, quando se elegeu governadora pela primeira vez. Desestruturou o antigo PFL, hoje DEM, fazendo com que os democratas se jogassem nos braços dos peemedebistas para apoiar a candidatura Garibaldi ao governo. Isso dividiu os aliados de Agripino. E não foi por menos: Na época para Wilma era mais interessante ter os agripinistas distante dela. Mais importante, como foi, era ter o apoio de Lula, candidato também a reeleição. Por isso o antigo PFL não interessava estar no seu palanque. Uma jogada estratégica que deu resultado.
Agora, Garibaldi presidente do Senado, interessa novamente a Wilma. Ela sabe a importância de contar com a sua ajuda no que diz respeito aos pleitos para o estado junto ao governo federal. Os primeiros resultados dessa “união administrativa”, como ela faz questão de chamar, já foram obtidos na última quinta-feira, na reunião dela com a bancada e a toda poderosa ministra-chefe da Casa Civil Dilma Ruosseff. Wilma tem como projeto político se eleger senadora, e claro, quer terminar o seu governo mostrando que realizou obras estruturantes para o Rio Grande do Norte.
Resta saber, no entanto, se estas obras forem mesmo realizadas, como a ZPE [Zona de Processamento de Exportação], aeroporto de São Gonçalo do Amarante, o Pólo Petroquímido de Guamaré e o sistema de trens sobre trilhos para Natal [metrô de superfície], se os louros da vitória serão divididos com Garibaldi. Não custa lembrar que três desses grandes empreendimentos foram pensados ainda nos dois governos do PMDB, como são os casos da ZPE, do aeroporto e do metrô de superfície. Esse último o deputado Henrique Eduardo, na época secretário da extinta Segov [Secretaria de Projetos Especiais do Governo do Estado] já tinha, inclusive, um projeto pronto e aprovado pelo Ministério dos Transportes na gestão do então ministro Elizeu Padilha, do PMDB.
Mas o que quero dizer é que os afagos da governadora Wilma de Faria ao presidente do Senado, Garibaldi Alves, não são de graça. Ela sabe da importância hoje de Garibaldi no plano nacional. Sabe que o Planalto depende muito do Congresso Nacional, e que Lula já admitiu o seu desejo de uma aliança entre o PSB e o PMDB no Rio Grande do Norte. Isso não é nenhuma novidade. A governadora mesmo quase escorrega na sua mensagem anual dirigida à Assembléia Legislativa, quando chegou a insinuar isso. E no fundo no fundo, ela mesma deseja também.
Se ocorrer uma aliança política, no entanto, não será fácil convencer os peemedebistas de que Wilma e Garibaldi estarão juntos novamente num mesmo palanque. As feridas da última campanha são recentes e não cicatrizaram ainda. Só vejo uma saída para essa aliança ocorrer. Se Dona Wilma com o seu grupo político apoiar a candidatura do PMDB a prefeito de Natal. Do contrário, acho pouco provável.
Agora, em não havendo essa aliança, qual será o discurso da governadora Wilma de Faria na campanha. Será que ainda vai tratar o presidente do Congresso, senador Garibaldi Alves, com afagos como vem fazendo atualmente. Ou será que Garibaldi volta a ser “cacique” novamente?