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A lição que o Shaban de Santa Maria não aprendeu

Por Alfredo Sirkis, no Congresso em Foco

A tragédia de Santa Maria foi absolutamente idêntica à que aconteceu em Buenos Aires, no dia 30 de dezembro de 2004, na boate Cromagnon. Um idiota acendeu um fogo de artifício dentro de uma sala repleta, elementos altamente inflamáveis da decoração pegaram fogo, que se alastrou. A sala apinhada acima da capacidade era totalmente despreparada para uma rápida evacuação, saídas de emergência estavam trancadas para impedir a entrada de “penetras”. Os fiscais da prefeitura haviam levado uma graninha para deixar a boate funcionar. Morreu menos gente que em Santa Maria: 145. Na cidade gaúcha, segundo as últimas informações, já passa de 230…

O prefeito Anibal Ibarra acabou alvo de impeachment por causa dos fiscais corruptos. Pagou o preço político da tragédia, para muitos injustamente.

O ganancioso dono da boate Omar Shaban pegou 20 anos de prisão.

Mas a grande lição, “não queimarás fogos de artifício em recinto fechado repleto”, pelo visto o Shaban de Santa Maria não aprendeu…

Alfredo Sirkis [1] é deputado federal pelo Partido Verde (RJ), do qual é um dos fundadores, tem 60 anos, e foi secretário de Urbanismo e de Meio Ambiente da cidade do Rio de Janeiro e vereador. Jornalista e escritor, é autor de oito livros, dentre os quais Os carbonários (Premio Jabuti de 1981) e o recente Ecologia urbana de poder local. Foi um dos líderes do movimento estudantil secundarista, em 1968, e viveu no exílio durante oito anos.

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