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A lista de Schindler

Sabe aquela história de um empresário alemão que usou seu dinheiro e conexões para libertar judeus de campos de concentração, em plena 2ª Guerra Mundial? Está parecendo com uma certa lista encontrada na Câmara Municipal na Operação Impacto.

A lista, no caso a da Câmara, não era para libertar ninguém, mas para ajudar financeiramente a apadrinhados políticos e as chamadas “lideranças comunitárias”. A maioria, sequer, ia a Câmara. A lista beneficiava quase mil pessoas. Só o prefeito tinha indicado 304 cargos comissionados com salários os mais diversos.

Mas a maior semelhança com a lista de Schindler é que ela era guardada a sete chaves. Só veio à tona após a varredura feita pela Operação Impacto. Depois que parte da imprensa divulgou os nomes dessa lista, o prefeito Carlos Eduardo (PSB) tomou logo a iniciativa de cancelar um convênio que mantinha com a Câmara Municipal para manter os seus apadrinhados políticos. Se o convênio fosse legal, não haveria necessidade disso. Na lista as indicações eram feitas por instituições como a Fecam, iniciais de nomes como RM e HF, ou por grupos nominados em números. Uma espécie de código.  

Sabe-se que alguns dos nomes constantes na lista já confessaram que recebiam salários da Câmara Municipal, mas não iam trabalhar porque a remuneração era muito pouca. Não compensava ter que se deslocar de casa até a CMN. Como o dinheiro é público, pouco se importam.

O TCE (Tribunal de Contas do Estado) aprovou uma inspeção na Câmara para apurar o caso e até o dia 25 deverá estar concluindo o relatório. O relator do processo é o conselheiro Valério Mesquita. Espera-se, no entanto, que não faça como o seu colega, conselheiro Getúlio Nóbrega, relator do processo de inspeção feita nas contas da FJA (Fundação José Augusto) onde ficou constatado o desvio de R$ 58 milhões, mas até hoje o relatório não foi encaminhado para votação do plenário da Corte. 

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