Militares estão sendo vítimas de perseguição pelo comando da corporação, em Natal. A denúncia é da advogada Kátia Maria Lobo Nunes, que faz a defesa do grupo no processo em tramitação contra a Apeb (Associação de Praças do Exército Brasileiro).
Na semana passada, houve mais uma audiência, em Recife (PE), e um dos militares representados por Kátia Nunes, o segundo sargento Iasser Vargas Saleh, não foi apresentado ao juiz auditor da 7a. Circunscrição daJustiça Militar porque o Exército não teve dinheiro para bancar a viagem de Porto Velho até a capital pernambucana, de acordo com o que informou o major Walace Paysan Gomes, comandante do 17o. Pelotão de Comunicações de Selva.
Para a advogada, é inconcebível a alegação da falta de recursos. Ela considera que foi mais uma forma encontrada pelo Exército para prejudicar a defesa.
A pendenga começou após um evento acadêmico promovido por alunos do curso de Direito da UFRN, onde oficiais do Exército não gostaram da participação de praças da corporação e resolveram, de acordo com a advogada, persegui-los. Um coronel teria dito, inclusive, que a Constituição Federal não tinha validade dos muros do quartel para dentro e está respondendo a uma ação judicial por isso.
Kátia Nunes considera que seus clientes estão sendo vítimas da censura e afirma que fatos como esse ocorrem em diferentes estados brasileiros. O economista norte-rio-grandense Roberto de Oliveira Monte, ligados aos movimentos de Direitos Humanos no RN, também foi ouvido, como testemunha, na mais recente audiência em Recife.
Para a advogada, os militares perseguidos estão prejudicados por não obterem nenhuma promoção nos últimos anos, além das consequências psicológicas que têm sofrido. “Um dos militares denunciou agora, em Recife, que foi torturado em Natal”, relata Kátia Nunes.
Ainda de acordo com a advogada, o fato ainda tem relação com a dissolução da Apeb/RN pelo juiz federal Marcus Vinícius Costa Vidor, em março do ano passado, quando o processo transcorria em segredo de justiça mas, mesmo assim, foi divulgado pela imprensa. Kátia Nunes apresentou uma representação em desfavor do Juiz, em abril do ano passado, e ainda aguarda uma decisão.