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Afinal, quem vai pagar o superfaturamento da ponte?

A decisão do Tribunal Regional Federal da 5ª Região com sede em Recife (PE), de caucionar a quantia de R$ 29,6 milhões para compor a lesão causada ao erário público estadual em decorrência do apontado superfaturamento na obra da ponte Forte/Redinha pelo consórcio Queiroz Galvão/Construbase, encarregado da obra, merece um questionamento: Como o consórcio terá que arcar com o prejuízo, depositando toda a caução em juizo, se ficar provado no final do processo que houve realmente superfaturamento, será que as duas empresas que formam o consórcio vão querer ficar no prejuízo?

E tem mais: Os R$ 12 milhões que estavam no Ministério do Turismo, os quais o Juízo de Primeira Instância havia determinado que fossem depositados em conta judicial, vão agora retornar aos cofres da União. É outro abacaxi que o governo do estado terá que resolver porque estamos quase no final do exercício financeiro de 2007, e esse dinheiro retornando para o Ministério do Turismo fica quase impossível reavê-lo. Vai ficar difícil o governo do estado promover mais um aditivo entre os tantos que já promoveu para essa obra. Isso sem falar nos chamados dolfins [pilastras que dão proteção à ponte em caso de um acidente com uma embarcação], que até agora não foram concluídos e que a Capitania dos Portos exige que sejam feitos.

Só pra lembrar o caso. No dia 1º de agosto o Ministério Público Federal, através dos procuradores da República que atuam no Núcleo de Combate à Corrupção, ingressou com uma Ação Civil Pública por ato de improbidade administrativa contra a governadora Wilma de Faria, o atual secretário e o ex-secretário de Infra-Estrutura, Francisco Adalberto de Carvalho e Gustvavo Carvalho [hoje deputado estadual], respectivamente, além de outras 20 pessoas envolvidas no processo de licitação e execução da obra da ponte Forte/Redinha.

A obra da ponte que certamente serviria como moeda eleitoral do governo na próxima eleição para prefeito de Natal, pode estar virando uma dor de cabeça. Se até o início da campanha eleitoral o escândalo não for devidamente esclarerecido e a ponte não for inaugurada, o candidato apoiado pela governadora Wilma de Faria pode ser fustigado pelos seus adversários. Afinal de contas, a ponte Forte/Redinha, que levou mais de 11 anos para ser inciada a obra, é o grande trunfo do atual governo para apresentar à população de Natal.

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