por Ricado Kotscho, no Balaio do Kotscho
Bastaram apenas oito meses de governo para a maioria do eleitorado se arrepender da barbaridade que cometeu em outubro do ano passado, ao dar a vitória a Jair Bolsonaro para derrotar o PT.
Esta é a revelação mais importante da nova pesquisa Datafolha divulgada nesta segunda-feira, que resume os demais índices, todos eles negativos para o alucinado ex-tenente expulso do Exército que derrotou o professor Fernando Haddad.
Se a eleição fosse hoje, informa o levantamento, Haddad derrotaria Bolsonaro por 42% a 36%, fora da margem de erro. Mas agora é tarde.
Com sua popularidade derretendo, o presidente ainda é aprovado por apenas três entre cada dez brasileiros.
A avaliação positiva de ótimo/bom despencou para 29%, enquanto a de ruim/péssimo subiu de 3% para 38%.
Diante desses números, qual foi a reação de Bolsonaro ao sair do Alvorada, hoje cedo, e se debruçar no gradil do chiqueirinho dos repórteres?
“Alguém acredita no Datafolha? Você acredita em Papai Noel? Outra pergunta!”, disparou o ocupante do Palácio do Planalto, como se os repórteres fossem culpados pelo estrago na sua imagem.
Não sei o que os colegas lhe responderam, mas a pesquisa mostra que 44% dos entrevistados nunca confiam no que o presidente fala.
Como vive numa realidade virtual, isolado na sua bolha, a sua primeira reação é sempre essa: se os números lhe são desfavoráveis, chuta com os dois pés e chama a próxima pergunta.
É simplesmente inacreditável que o país continue sendo governado por um cidadão que nega as pesquisas, a ciência e a cultura e só acredita nas suas sandices terraplanistas.
Na análise dos diretores do Datafolha que acompanha a pesquisa, Mauro Paulino e Alessandro Janoni resumem a ópera:
“Com tom belicoso, Bolsonaro arrisca pregar apenas para convertidos”.
À medida em que desce a ladeira, porém, ele vai ficando cada vez mais beligerante e não dá o menor sinal de que pretende se comportar como um presidente da República.
Para 32% do eleitorado, ele não está à altura do cargo “em nenhuma situação”.
A erosão da aprovação a Bolsonaro se deu em todas as faixas etárias, níveis de renda e regiões do país.
No nordeste, a rejeição ao presidente já chega a 52%.
A rejeição ao presidente se dá principalmente entre mulheres (43%), eleitores com renda superior a 10 salários mínimos (46%), desempregados (48%) e pretos (51%).
Evangélicos neopentecostais (46%) e empresários (48%) estão entre os que mais o apoiam ainda.
Bolsonaro é o mais mal avaliado entre os presidentes eleitos nos primeiros oito meses de mandato: tem 38% de ruim/péssimo, contra 15% de FHC, 10% de Lula e 11% de Dilma.
Só resta ao indigitado chamar de comunistas as 2.878 pessoas com mais de 16 anos ouvidas pelo Datafolha em 175 municípios.
Vida que segue.
Foto reproduzida da Internet