Pelas colocações feitas por François Silvestre em seu livro “As alças do Algave” no trecho em que aborda o escândalo do foliaduto – desvio de R$ 2,1 milhões do erário público através da FJA [Fundação José Augusto] – tem-se a impressão de que a governadora Wilma de Faria (PSB) “não sabia de nada” mesmo, apesar de seu irmão, médico Carlos Faria, ex-secretário chefe do Gabinete Civil, ter sido mencionado pelo MP [Ministério Público] como “autor intelectual” da trama.
Segundo Silvestre, nas conversas que manteve com a governadora sobre o assunto, ela não demonstrtou que sabia do caso, colocando que se sabia, Wilma foi uma perfeita atriz ao disfarçar. É aquela velha história. O governante, quando estoura um escândalo no seu governo, é o primeiro a dizer que não sabia de nada, mesmo a chefia da engrenagem, como disse o próprio autor do livro, “estando na soleira do poder”.
Seria muita estupidez qualquer governante admitir que sabe de falcatruas cometidas em seu governo e que não toma qualquer providências porque suspostamente isso não vem a público. E quando vem, é claro, é correto afirmar que “eu não sabia de nada”. É como o marido que trai e quando a mulher descobre ele nega até o último instante, mesmo com provas evidentes.