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Ala de Moraes se articula para espalhar crise, expor cinturão de Vorcaro e disputa controle das investigações do caso Master

Está no Blog da Andréia Sadi

A sessão de ontem do Supremo Tribunal Federal (STF [1]) expôs uma estratégia que já vinha sendo desenhada nos bastidores: a ala mais próxima de Alexandre de Moraes [2] tenta tirar a crise do foco do ministro e espalhá-la pelo tribunal, transformando o caso numa discussão sobre o tamanho do cinturão de relações de Daniel Vorcaro dentro do STF.

Nos últimos dias, vieram a público mensagens que citam pessoas ligadas a outros ministros, entre eles Kassio Nunes Marques [3]Luiz Fux [4]. Os episódios são distintos e não há elementos que permitam equiparar as situações. Mas, segundo fontes ouvidas pelo blog, o objetivo do grupo Moraes politicamente é a ampliar essa rede porque ajuda a deslocar o foco: de “Moraes e Vorcaro” para “Vorcaro e o Supremo”.

Essa estratégia se mistura a uma disputa ainda maior que hoje divide a Corte: a briga por poder e pelo controle das investigações do caso Master.

É também por isso que a atuação de André Mendonça [5] virou parte central da discussão. O grupo mais próximo de Moraes questiona a forma como o ministro conduziu a apuração e tenta colocar os dois casos no mesmo pacote. Na sessão, Moraes, Gilmar Mendes [6] e Cristiano Zanin [7] defenderam a análise conjunta; Fachin, Mendonça, Fux e Cármen Lúcia [8] votaram pela separação. O julgamento foi interrompido pelo pedido de vista de Flávio Dino quando o placar estava em 4 a 3.

Na avaliação de interlocutores do tribunal, espalhar a crise também altera a correlação de forças. Quanto maior o cinturão de Vorcaro, maior a discussão sobre quem pode votar, quem está impedido ou suspeito, quem pode investigar e, principalmente, quem terá o controle das investigações daqui para frente.

A crise, portanto, deixou de ser apenas sobre Moraes. Virou uma disputa interna sobre o próprio Supremo e sobre o comando das apurações envolvendo o Master.

O risco é o tribunal mergulhar numa discussão sobre si mesmo — relações de ministros, suspeições, impedimentos, relatorias e procedimentos — antes de responder à questão que está na origem de toda a crise: o que efetivamente precisa ser investigado no caso Master e até onde chegava a rede de influência de Daniel Vorcaro.

E pior: mergulhar o tribunal numa crise institucional a semanas sem prazo para sair a semanas da eleição.

Foto reproduzida da Internet

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