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Alckmin vê chance de virada de Lula e faz apelo à classe média

Está no Brasil 247

O vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) afirmou que a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) é “perfeitamente possível” e defendeu uma ofensiva da campanha governista para conquistar eleitores da classe média, do centro político e independentes no segundo turno contra o senador Flávio Bolsonaro (PL). Para justificar sua avaliação, ele relembrou a vitória de Mário Covas na disputa pelo governo de São Paulo em 1998, quando o tucano conseguiu reverter uma desvantagem eleitoral diante de Paulo Maluf.

As declarações foram feitas no sábado (10). Alckmin destacou a diferença de 2,2 milhões de votos registrada no primeiro turno da eleição presidencial de 2026 e a abstenção de 33 milhões de eleitores como elementos relevantes para a disputa.

“Temos que falar com os independentes, com a classe média, com o centro e convencer o pessoal, mostrando os prejuízos que pode haver”, afirmou o vice-presidente.

Alckmin avalia que o cenário eleitoral ainda permite uma mudança no resultado da disputa presidencial. Na comparação apresentada por ele, a distância entre Lula e Flávio Bolsonaro é inferior à desvantagem enfrentada por Mário Covas na eleição paulista de 1998.

“Estamos a 15 dias do segundo turno. Foram 2,2 milhões de votos a diferença, e 33 milhões a abstenção”, disse.

A referência ao número de eleitores que não compareceram às urnas no primeiro turno demonstra a importância atribuída por Alckmin à mobilização eleitoral. O contingente de ausentes supera amplamente a diferença de votos entre os dois candidatos, embora isso não signifique que esses eleitores tenham uma preferência política uniforme.

Alckmin relembra reação de Mário Covas em 1998

Ao defender a possibilidade de reeleição de Lula, Alckmin recorreu à experiência que viveu como vice-governador de Mário Covas, do PSDB, na campanha de 1998.

Naquele ano, Covas iniciou a disputa pelo governo paulista em terceiro lugar nas pesquisas. Um levantamento do Datafolha apontava o então governador com 14% das intenções de voto, atrás de Francisco Rossi, do PDT, com 28%, e de Paulo Maluf, do PPB, com 26%.

Apesar do desempenho inicial, Covas conseguiu ultrapassar Rossi e avançou ao segundo turno contra Maluf. Na primeira votação, o tucano terminou com aproximadamente 1,54 milhão de votos a menos que seu adversário.

A disputa também foi apertada na definição dos candidatos classificados para a etapa final. Marta Suplicy, que terminou em terceiro lugar, recebeu cerca de 75 mil votos a menos que Covas.

Alckmin destacou que a recuperação eleitoral do então governador ocorreu nos últimos dias da campanha.

“Fomos para o segundo turno 10 pontos atrás, não foram 2 pontos. Dez pontos atrás. E só viramos a quatro dias da eleição. Era domingo o segundo turno, nós viramos na quarta-feira”, relembrou.

Covas acabou reeleito governador de São Paulo, tendo Alckmin novamente como vice. Para o atual vice-presidente da República, aquele episódio demonstra que diferenças registradas nas pesquisas e nas urnas em uma etapa anterior não tornam uma disputa eleitoral irreversível.

Vice-presidente critica ajuste fiscal proposto por Flávio Bolsonaro

Durante o encontro, Alckmin também questionou o programa econômico defendido pela campanha de Flávio Bolsonaro, especialmente a promessa de promover um corte de R$ 250 bilhões nas despesas públicas.

O vice-presidente reconheceu a necessidade de medidas para equilibrar as contas do governo federal, mas argumentou que eventuais ajustes devem priorizar a redução de privilégios e desigualdades, em vez de comprometer a renda da população mais vulnerável.

“Óbvio que precisa ser feito, mas precisa ser feito em cima dos privilégios, das injustiças”, afirmou.

Ao abordar os possíveis efeitos de medidas de contenção de despesas, Alckmin chamou atenção para a situação dos aposentados e pensionistas brasileiros. Segundo ele, 70% dos beneficiários recebem o equivalente a um salário mínimo.

O vice-presidente utilizou como exemplo a situação de uma pessoa idosa com dificuldades financeiras e problemas de saúde para questionar a possibilidade de redução de sua renda em nome do equilíbrio fiscal.

“Imagina uma pessoa sem casa própria, idosa, com problema de saúde, que ganha R$ 1.621 e você vai tirar R$ 40 dela para fazer ajuste fiscal? Não é possível”, declarou.

A crítica estabelece uma diferença entre as posições econômicas defendidas pelo vice-presidente e as propostas apresentadas pela campanha de Flávio Bolsonaro. Alckmin sustenta que a reorganização das despesas públicas deve preservar a renda dos segmentos de menor poder aquisitivo.

Disputa pelo eleitorado de centro ganha importância no segundo turno

As declarações de Alckmin ocorrem em um momento em que Lula e Flávio Bolsonaro buscam ampliar suas bases eleitorais para além dos grupos que os apoiaram no primeiro turno.

A manifestação do vice-presidente indica a prioridade atribuída à conquista de votos entre eleitores que não se identificam diretamente com os dois principais campos políticos do país.

Nesse contexto, o apelo à classe média aparece associado à discussão sobre os possíveis efeitos das políticas econômicas de um próximo governo, especialmente em temas como aposentadorias, despesas públicas e distribuição de renda.

Ao recorrer ao precedente de 1998, Alckmin também trouxe para o debate eleitoral uma experiência da própria trajetória política. Antes de integrar o governo Lula, o vice-presidente construiu grande parte de sua carreira no PSDB, partido pelo qual governou São Paulo e disputou a Presidência da República.

A eleição presidencial de 2026 terá seu segundo turno em 25 de outubro. Até lá, as campanhas de Lula e Flávio Bolsonaro disputam o apoio dos eleitores que votaram em outros candidatos, dos indecisos e daqueles que não compareceram às urnas na primeira etapa da votação.

Foto reproduzida da Internet

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