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A Agência Brasileira de Inteligência (Abin) não estava sozinha na teia de espionagem ilegal montada para atender aos interesses políticos do governo de Jair Bolsonaro (PL). Segundo Rodrigo Rangel, do Metrópoles [1], fontes de alto escalão da agência afirmam que a inteligência do Exército também foi acionada para produzir informações destinadas ao círculo íntimo do então presidente da República.
A participação dos militares neste esquema agora está sob escrutínio da Polícia Federal, que investiga o que vem sendo chamado de “Abin paralela”. >>> Foco na Abin encobre conexão israelense de generais [2]
O programa espião FirstMile, usado pela Abin para monitorar opositores do governo, é um dos pontos de partida das investigações. A inteligência do Exército também fazia uso desse software, pertencente à empresa israelense Cognyte. As consultas realizadas nos últimos anos pelos militares, a partir da autorização que lhes permitia acessar diretamente os dados dos arquivos da Cognyte, agora estão nas mãos da PF e serão minuciosamente analisadas.
Segundo oficiais de inteligência que acompanharam a atuação do grupo de Alexandre Ramagem na Abin, além do trabalho clandestino realizado dentro da agência, havia um núcleo de inteligência militar em paralelo, a serviço de Bolsonaro e seu círculo mais próximo. Esse núcleo, composto por oficiais com histórico no Centro de Inteligência do Exército (CIE) e com ligações diretas com o gabinete presidencial da época, era responsável por fornecer informações sensíveis. >>> Exército é o principal cliente de empresa israelense de espionagem política [3]
Além do FirstMile, a inteligência do Exército dispõe de diversas outras ferramentas capazes de monitorar alvos selecionados, todas vinculadas diretamente ao comando-geral da corporação.
O Exército ainda não se pronunciou sobre o caso.