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Aliados de Lula veem `timing inadequado´ de Mendonça e tentativa de desgastar o governo

Está no Brasil 247

Aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) avaliam que o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), adotou um “timing” inadequado ao tomar decisões que atingem nomes próximos ao petista a poucos dias da convenção nacional do PT.

Segundo a CNN Brasi [1]l, integrantes do entorno de Lula estranharam a decisão de Mendonça de retirar o sigilo de documentos da investigação envolvendo o senador Jaques Wagner (PT-BA) e de autorizar a abertura de inquérito contra Fábio Luís Lula da Silva, filho do presidente. O evento petista está marcado para domingo (2), em São Paulo, quando Lula será oficializado como candidato à reeleição.

No PT, a avaliação é de que Mendonça, indicado ao STF pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), atua politicamente e teria escolhido o momento das decisões para tentar desgastar o governo. Aliados do presidente veem as medidas como um movimento sensível por atingir, simultaneamente, um dos principais nomes da articulação política do Planalto e o filho de Lula.

Mendonça tornou públicos documentos da Polícia Federal que apontam vínculos entre Jaques Wagner e executivos ligados ao Banco Master. O senador foi alvo de busca e apreensão na nona fase da Operação Compliance Zero, deflagrada em 18 de junho.

De acordo com a investigação, a PF apura indícios de que Wagner teria recebido vantagens econômicas de gestores do Banco Master em possível contrapartida à atuação parlamentar em temas de interesse da instituição financeira. O senador nega as acusações e afirma que provará sua inocência.

A Polícia Federal também detalhou a relação entre Jaques Wagner e Augusto Ferreira Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro e empresário influente na Bahia. Segundo o levantamento da corporação, os dois trocaram 74 ligações entre novembro de 2023 e maio de 2025, totalizando cinco horas e 30 minutos de conversas.

Entre as supostas vantagens atribuídas ao núcleo ligado ao Master, a PF cita o uso de aeronaves, ingressos para shows de alto valor, presentes e a possível aquisição de um apartamento de R$ 2,45 milhões em Salvador.

Jaques Wagner foi líder do governo Lula no Senado e é considerado um dos políticos mais próximos do presidente. O petista também ocupou cargos de destaque em governos do PT e foi governador da Bahia por dois mandatos.

Pouco antes da retirada de sigilo no caso de Wagner, na quinta-feira (30), Mendonça autorizou a abertura de inquérito para investigar Lulinha por suspeitas de tráfico de influência e corrupção.

Em entrevista ao podcast Inteligência Ltda, Lula voltou a afirmar que seu filho não terá tratamento privilegiado em caso de investigação.

“Se o meu filho for acusado de qualquer coisa, ele será tratado como filho de qualquer pessoa. É o certo. Não haverá nenhum privilégio. Eu jamais pedirei para um delegado ou para um juiz não fazer as coisas corretas. Se ele estiver certo, ele vai ter ajuda minha”, disse o presidente.

A campanha de Lula afirma que ainda não mediu o impacto político da abertura de inquérito. Entre aliados, o discurso é de que, caso a investigação avance sem comprovação das suspeitas, o desfecho pode ser melhor do que manter no ar acusações e expectativas sem conclusão.

No caso de Lulinha, a suspeita é de que ele teria atuado junto ao Ministério da Saúde em negociações relacionadas ao processo de autorização para comercialização de cannabis medicinal.

Em outras frentes de investigação, foi levantada a suspeita de que Lulinha seria sócio oculto de Antonio Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, apontado como um dos principais operadores em um esquema de desvios bilionários de pensões e aposentadorias.

Foto reproduzida da Internet

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