Está no Blog da Sandra Cohen
A isenção dos ultraortodoxos ao serviço militar em Israel [1] representa um importante foco divisor de religiosos e seculares, que recrudesceu com a guerra empreendida há quatro meses pelo governo contra o Hamas na Faixa de Gaza [2].
O ministro da Defesa, Yoav Gallant, abriu uma nova crise com o premiê israelense, Benjamin Netanyahu [3], ao apoiar o fim da isenção do recrutamento militar aos membros da comunidade religiosa, que representa 16% dos cidadãos israelenses.
Os partidos ultraortodoxos são essenciais para o funcionamento e a sobrevivência da coalizão extremista liderada por Netanyahu e asseguram uma série de benefícios em relação aos demais setores da sociedade.
A pressão pela extensão do recrutamento militar a essa comunidade tem o aval da Suprema Corte — a mesma que o premiê quer esvaziar com o seu projeto de reforma judicial [4], encarado como golpe por boa parte da sociedade.
Em três ocasiões, o tribunal decidiu que a exclusão do serviço militar para estudantes das escolas religiosas é discriminatória, ilegal e viola o princípio da igualdade. A partir disso, o tema foi devolvido ao Parlamento israelense.
Os sucessivos acordos entre o premiê e os partidos representados pelos ultraortodoxos adiaram uma solução, até que a procuradora-geral, Gali Baharav-Miarak, se pronunciou em favor do recrutamento dos homens desta comunidade, se até o dia 1º de abril o Parlamento não apresentasse um projeto de lei.
Segundo as Forças de Defesa de Israel, 66 mil jovens ultraortodoxos foram liberados do serviço militar, obrigatório para os demais durante o período de pelo menos dois anos.
Enquanto isso, a guerra contra o Hamas — desencadeada após o massacre de 1.200 israelenses por terroristas infiltrados no sul do país — obrigou o Exército a convocar 300 mil reservistas [5], com reflexos na economia.