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Após aposentadoria, Joaquim Barbosa pretende voltar à vida acadêmica

Está no Globo

Momentos antes de se aposentar do Supremo Tribunal Federal (STF), em 2006, o ministro Carlos Velloso chamou o colega Joaquim Barbosa em seu gabinete. Queria lhe dar a bandeira de Minas Gerais, estado natal dos dois. Agradecido, Barbosa logo pendurou o presente em seu gabinete. Barbosa passou, então, a representar Minas Gerais. Mas fugiu do perfil do típico “mineiro come quieto”. Preferiu seguir a vida à moda das grandes batalhas narradas por Guimarães Rosa. Em 2005, foi sorteado relator do processo do mensalão e passou a residir no olho do furacão. Em 2012, transformou-se ele próprio no furacão e conduziu a condenação da cúpula do governo Lula. Ontem, deixou a mais alta Corte do país com um recado à nação: é possível punir políticos corruptos.

A exemplo de Riobaldo, o jagunço de “Grande Sertão: Veredas”, que não via tanta satisfação nas lutas, Barbosa se fechou. E, ao contrário do que dizem petistas, garante que não fez pacto com o diabo, como o personagem do livro. A partir de agora, quer uma vida de menos holofotes. Voltará ao meio acadêmico, uma grande paixão. Pretende dar aulas, mas ainda não fechou contrato com uma instituição específica. Recentemente, fez conferência no UniCeub, em Brasília, onde é membro do Centro Brasileiro de Estudos Constitucionais. Deve repetir palestras por lá.

Ele não tem a intenção de exercer a advocacia, caminho natural de ex-ministros do STF. Barbosa tem implicância com a categoria — uma das muitas com as quais brigou em sua passagem pela Corte. Se o ministro sai do STF com a popularidade em alta, citado até em pesquisas de intenção de votos para a Presidência da República (o que rejeita de cara, diga-se), no meio jurídico colecionou inimizades. Além dos advogados, colegas e entidades de classe da magistratura guardam mágoas de discussões e bate-bocas.

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