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Após vitória de Lula, defesa de Vorcaro teme piora da situação do banqueiro

Está na Fórum

A defesa de Vorcaro avalia que a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tornou mais difícil a situação judicial de Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, preso preventivamente desde março. Nos bastidores, integrantes da equipe jurídica temem que o empresário enfrente um ambiente adverso no governo federal, na Polícia Federal (PF), na Procuradoria-Geral da República (PGR) e em setores do Supremo Tribunal Federal (STF).

A avaliação foi relatada pelo jornalista Igor Gadelha, do Metrópoles, nesta terça-feira (27). Segundo a publicação, a defesa de Vorcaro considerava mais favorável uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro (PL), derrotado por Lula no segundo turno das eleições presidenciais.

O receio dos advogados está relacionado, principalmente, à divulgação de um áudio atribuído a Vorcaro durante a campanha eleitoral. Na gravação, o banqueiro faz acusações sobre um suposto financiamento de um documentário sobre Lula, dirigido pelo cineasta Oliver Stone.

Os defensores avaliam que o episódio pode ter deteriorado a relação do empresário com integrantes do governo e de instituições envolvidas nas investigações. A hipótese de que o presidente atuaria para dificultar uma eventual soltura, porém, é uma interpretação dos advogados, sem confirmação de qualquer orientação nesse sentido.

Defesa de Vorcaro enfrenta consequências da divulgação de áudio

A gravação foi divulgada em 9 de outubro pela revista Veja, durante a disputa presidencial. Segundo a publicação, Vorcaro teria relatado pagamentos de aproximadamente R$ 30 milhões ligados ao financiamento do documentário sobre Lula, além de supostos repasses ao Instituto Lula.

O presidente negou ter solicitado ou recebido qualquer vantagem financeira do banqueiro. A divulgação das acusações provocou uma reação jurídica da campanha petista, que apresentou medidas à Justiça Eleitoral e solicitou investigação sobre a origem e o conteúdo do material.

Naquele mesmo dia, a Polícia Federal divulgou uma nota oficial [1] esclarecendo que Vorcaro não prestou depoimento com o teor apresentado pela revista nem entregou documentos ou informações com aquele conteúdo à instituição.

A corporação também confirmou que as propostas de colaboração premiada apresentadas pelos advogados do ex-banqueiro foram rejeitadas por não atenderem aos requisitos legais. A PF recebeu uma notícia-crime relacionada à publicação e encaminhou o caso para providências de polícia judiciária.

O advogado Daniel Bialski confirmou que a voz presente em uma das gravações é de Vorcaro, mas afirmou desconhecer as circunstâncias em que o áudio foi produzido. Outros integrantes da defesa não reconheceram a origem, a autenticidade e a integridade do material divulgado.

Em 17 de outubro, a Veja apresentou um laudo particular que apontou compatibilidade da voz com a do banqueiro e ausência de indícios técnicos de manipulação nos arquivos examinados. A análise da gravação, entretanto, não comprova a realização dos pagamentos relatados.

Como mostrou a Revista Fórum [2], as autoridades rejeitaram as propostas de delação apresentadas por Vorcaro. As acusações relacionadas ao documentário não foram confirmadas por depoimento formal à PF ou à PGR.

Impasse no STF mantém futuro de Vorcaro indefinido

Além do desgaste político, os advogados aguardam uma definição sobre a tramitação dos processos do Banco Master no Supremo. Em 12 de setembro, o presidente da Corte, Edson Fachin, determinou que os autos relacionados ao Master e às investigações sobre fraudes no INSS fossem encaminhados à Presidência do tribunal.

A medida ocorreu em meio às divergências envolvendo o ministro André Mendonça, responsável pela condução das investigações sobre o banco, e outros integrantes da Corte.

Em 15 de setembro, o julgamento de uma questão processual envolvendo as Petições 16.662 e 16.704 foi suspenso após pedido de vista do ministro Flávio Dino. A discussão envolve a tramitação de procedimentos relacionados a informações encontradas nas investigações e a eventuais referências a ministros do Supremo.

No dia 13 de outubro, após reunião com o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, Fachin informou que aguardava uma manifestação da PGR na Petição 16.704 para decidir os encaminhamentos necessários, inclusive em relação a pedidos pendentes.

A posição foi registrada em comunicado oficial do STF [3]. Até agora, não foi identificada confirmação pública de que todos os processos do Master tenham sido devolvidos ao gabinete de Mendonça.

Defesa tenta reverter prisão preventiva

Vorcaro está preso desde 4 de março de 2026. Em setembro, seus advogados pediram a revogação da prisão preventiva, argumentando que não havia ocorrido a reavaliação periódica da medida.

O artigo 316 do Código de Processo Penal [4] estabelece a necessidade de revisão fundamentada da prisão preventiva a cada 90 dias. A ausência dessa revisão, contudo, não significa soltura automática, conforme a interpretação consolidada pelo STF.

A defesa também sustenta que a indefinição processual no Supremo não deveria impedir a análise dos pedidos de liberdade do empresário.

Antes da eleição, advogados envolvidos no caso trabalhavam com a expectativa de que Fachin devolvesse os autos ao gabinete de André Mendonça após o segundo turno. A hipótese ainda depende de decisões institucionais e não altera, por si só, os fundamentos jurídicos da prisão.

A reeleição de Lula, confirmada pelo Tribunal Superior Eleitoral [5], com 51,79% dos votos válidos, modificou a avaliação política da defesa de Vorcaro. A manutenção ou revogação da prisão, no entanto, continua sendo uma decisão do Poder Judiciário, sujeita aos requisitos legais e à análise dos elementos do processo.

Foto reproduzida da Internet

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