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O relatório da equipe técnica do Tribunal Superior Eleitoral [1] (TSE), feito por determinação do presidente da Corte, Nunes Marques, aponta que não foram encontradas publicações com informações falsas no canal “Exército do Lula”,no WhatsApp.
“Não foram localizadas novas publicações que reproduzam os conteúdos examinados nos autos ressalvando o conteúdo de vídeos que, pela urgência, não foram transcritos”, diz o relatório.
Apesar disso, o chefe da Assessoria de Enfrentamento à Desinformação do TSE, Frederico Alvim, aponta preocupação com a disseminação em massa de mensagens às vésperas do segundo turno das eleições.
Entre os fatores de risco citados estão o alcance potencial das publicações, a atuação coordenada para mobilizar seguidores e ampliar a circulação de conteúdos e linguagem polarizadora nas mensagens.
“Registra-se, ainda, nas mensagens examinadas, o emprego recorrente de uma linguagem polarizadora, que tende a estabelecer uma lógica de confronto potencialmente contrária à condição das eleições como um substitutivo do conflito”, afirma.
O relatório registra que parte das mensagens publicadas em setembro foi apagada a partir de 7 de outubro, o que dificulta a reconstrução do histórico do canal e a análise do material divulgado no período (veja mais abaixo).
Coordenado pelo deputado eleito André Janones (Rede-MG), o canal “Exército do Lula” tem mais de 3 milhões de inscritos. O objetivo é compartilhar áudios, vídeos e orientações para apoiadores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Lula e o senador Flávio Bolsonaro (PL) disputam a Presidência da República no segundo turno das eleições deste ano, marcado para 25 de outubro.
O impasse na Justiça Eleitoral começou com um pedido da campanha de Flávio, que alegou que o canal reproduzia notícias falsas contra o candidato.
🎤Após a divulgação do relatório da área técnica do TSE, a campanha de Flávio Bolsonaro divulgou uma nota em que afirma que o canal de WhatsApp “Exército do Lula” utiliza estratégias de apagamento sistemático de mensagens e uso de links para burlar o controle da Justiça Eleitoral.
📢A campanha de Flávio também critica o procedimento adotado pelo TSE no caso. E afirma que enviará à Corte Eleitoral um novo relatório com provas que diz ter reunido sobre o caso.
O que diz o relatório
O relatório analisou as publicações do canal entre 2 e 11 de outubro. Segundo o documento, parte das mensagens originais de setembro foi apagada a partir do dia 7, o que dificulta a reconstrução do histórico do canal.
Apesar de afirmar que não foram identificadas notícias falsas sobre o candidato adversário, a assessoria de Enfrentamento à Desinformação do TSE faz um alerta para o potencial de alcance elevado das publicações.
Entre os fatores apontados estão o potencial de alcance elevado das publicações, o volume expressivo de encaminhamentos e a existência de orientações coordenadas para mobilizar seguidores e ampliar a circulação de conteúdos.
Esses fatores, na prática, podem potencializar uma eventual disseminação em massa de conteúdos falsos contra o candidato adversário, às vésperas do pleito.
O documento também destaca o uso recorrente de linguagem polarizadora nas mensagens. Segundo a equipe técnica, esse tipo de abordagem pode estimular uma lógica de confronto em um período próximo ao segundo turno.
Disputa no TSE
O relatório foi elaborado por determinação do presidente do TSE, ministro Nunes Marques, após uma disputa de decisões judiciais sobre o funcionamento do canal.
No domingo (11), o corregedor-geral da Justiça Eleitoral, ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, suspendeu a ordem do presidente da Corte, Nunes Marques, e reabilitou o funcionamento do canal de WhatsApp. A nova decisão é preliminar e deverá ser discutida pelo plenário do TSE.
Cueva, no entanto, proibiu a divulgação de conteúdos falsos que já tenham sido analisados pelo tribunal. Em caso de descumprimento, o canal poderá ser suspenso novamente.
Foto reproduzida da Internet