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Artigo

E o super Moura volta ao ringue

Por Stella Galvão

Em tempos de Batman ressurgindo das trevas e um espetacular Homem Aranha nas telas cinematográficas, é no mínimo auspicioso, para não dizer reconfortante, contar com um dublê de super herói candidato à vereança na capital potiguar tão assombrada por espectros políticos de procedência ruinosa.

Super Moura é a alcunha de José Vitória de Moura, 77 anos, militar reformado, escolarizado até o ensino fundamental.  Filiado ao Partido Social Liberal, ele nasceu em Boa Saúde, a 84 quilômetros da capital, conforme se lê na ficha eleitoral do candidato, que não declara bens mas alega que gastará R$ 1 milhão na campanha. Como símbolo, duas enormes luvas de box que contrastam com o corpo mirrado do idoso.

Não pensem os eleitores que se trata da primeira incursão do dublê tardio de herói em campanha política. Ele candidatou-se em 2006 e 2008, respectivamente a deputado estadual e a vereador, sempre atrelado ao símbolo que se tornou sua marca registrada: as luvas de boxe com as quais anunciou, há seis anos, que aniquilaria de um duplo golpe com a corrupção e mensalão. Como se pode constatar pelas notícias diárias, nem a kriptonita do super homem seria suficiente para deter o duto de drenagem das verbas públicas para os bolsos corruptos. 

Na primeira campanha, disponível no youtube, aparecia com o franzino tórax à mostra levantando um peso, com o toque extra da gravata extra G e as inarredáveis luvas de box. Na segunda, Moura da Esperança (referência ao bairro onde mora, em Natal) é um motoqueiro (referência aos entregadores de pizza) que vem acabar com a farra dos corruptos. Na nova versão, o tempo é curto demais para algo mais que o desfile das luvas vermelhas e os carões do vovô. Mas, sintonizado aos novos tempos, o arremedo de super herói inaugurou, há um mês, um perfil no Facebook, ‘Super Moura em Natal’, ainda sem seguidores. Apenas sete pessoas curtiram a iniciativa na fanpage

A avalanche de candidatos bizarros a cada eleição é objeto de análise de cientistas políticos como David Fleischer, da UnB (Universidade de Brasília). “Ao invés de anular o voto, uma parte do eleitorado vota no exótico.” Foi assim com o palhaço Tiririca, eleito com enorme votação para deputado federal em São Paulo (2010). Beneficiou-se, assim, do voto de protesto do eleitor que literalmente ‘chuta o pau da barraca’, esgotado diante da mesmice das campanhas e das práticas políticas fisiológicas. Será que dessa vez Super Moura nocauteia alguém no Palácio Padre Miguelinho?

Stella Galvão é jornalista e colaboradora do blog, professora da Escola de Comunicação e Artes da UnP, mestre pela PUC-SP e autora de ‘Calos e Afetos’ e ‘Entreatos’. Endereço no twitter @stellag19

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