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Artigo – Copa 2014. A festa é nossa… e a conta também!

– Deixa ver se eu entendi. Vão demolir o Machadão, o Machadinho, o Centro Administrativo, construir uma arena esportiva de primeiro mundo, cumprindo todas as exigências da Fifa, e seus padrões suíços de qualidade, transformar Natal em Dubai e tudo isso só vai custar R$ 300 milhões. E querem que a gente acredite que, se forem dar cabo dessa idéia quixotesca, não vão gastar pelo menos o triplo desse montante? Isso em plena crise econômica mundial, quando todo mundo só fala em contenção de gastos e a prefeita recém empossada acaba de anunciar um rombo de R$ 116 milhões nos cofres públicos?

Devo estar doidão, pois eu li isso nos jornais locais!. Acho que foi a água com nitrato que deu algum revestrés e provocou esse delírio. Se isso for verdade, fico imaginando como vamos explicar pra população mais pobre que temos esse montante de dinheiro para construir um estádio com tanta grana enquanto a saúde encontra-se em situação desesperadora. Querem trazer pra cá uma sub-sede da Copa do Mundo? Um estado que não consegue evitar a poluição das praias, coibir o turismo sexual e conter a escalada da violência? Já foram mais de 80 mortes desde as festas de fim de ano e todos os dias surgem mais relatos de assaltos.

Vão promover um dos eventos mais bem organizados do mundo na terra que não conseguiu enviar ajuda para as vítimas das enchentes no interior e deixou toneladas de alimentos estocados em galpões na capital? Isso sem falar na cidade do sol, que basta cair uma chuvinha que alaga tudo, as famílias perdem os bens e os turistas vão ter que ir para os jogos da Copa de helicóptero. E sabem como eles resolvem os problemas de drenagem da cidade? Derrubando mais de 1.000 árvores no bairro Capim Macio. O problema é que o pensamento megalomaníaco das autoridades as deixam inibriadas com a capacidade empreendedora. Certamente, o vice-prefeito micareteiro e micarleiro já deve ter convencido as pessoas em seu redor que uma cidade que organiza o Carnatal pode ralizar “qualquer evento”.

E a governadora que demorou a vida de Matusalém para construir uma ponte que consumiu tubos de dinheiro? Será que ergueria o estádio a tempo da Copa… de 2.034?! E o evento seria organizado com a mesma transparência e prioridade do Carnaval de 2005 [o do Foliaduto]? Será que eles contratariam a Banda Mel para tocar no intervalo dos jogos?

Mas o que é pior vem agora: Lembra daqueles R$ 300 milhões [que se transformarão em R$ 1 bilhão quando as obras se iniciarem]! Pois é. Seremos nós [você, eu e aquelas pessoas enfermas e sem atendimento médico que enchem os corredores dos hispitais públicos] que vamos pagar. Mas como diz o jargão político-futebolístico: “É bola pra freente”.

* Carlos Filho, escritor, autor de “Verão Veraneio – crônicas de uma cidade ensolarada” e “É tudo mentira”.

Obs do blog: O artigo acima foi encaminhado pelo amigo e colega repórter fotográfico João Maria Alves, e por considerar interessante tomei a liberdade de publicá-lo 

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