Faltou o Rei do Maracanã
Por Carlos Alberto Barbosa
Na festa-teste do pseudo Novo Maracanã promovido pelo consórcio que realizou a obra levando os trabalhadores e seus familiares para ver um jogo dos amigos de Ronaldo contra os amigos de Bebeto, faltou a estrela principal. Zico, o Rei do Maracanã. Um erro crasso.
Zico, o Galinho de Quintino foi o jogador de futebol que mais fez gols no velho Maraca. Nem Pelé, com os seus mais de mil gols conseguiu esse êxito. Imperdoável os organizadores do evento não ter convidado Zico para participar da partida festiva. Certamente porque ele iria tirar o brilho das estrelas decadentes que alí estiveram jogando.
Agora se fala que o Flamengo, clube que o projetou no futebol e time do seu coração irá prestar uma homenagem a ele, Zico, quando o Flamengo reestrear no Maracanã. A se confirmar isso, será uma justa homenagem àquele que foi o maior artilheiro da história do clube e, claro, do Maracanã.
Me lembro como se fosse hoje. Em finais da década de 1970 morava no Rio. Como flamenguista não perdia um clássico no Maracanã em que o meu Mengão estivesse jogando. Flamengo e Botafogo jogavam num domingo. Na preliminar, sob um sol ardente de verão, os juvenis dos dois clubes. Sim, na época o time da base se chamava juvenil.
Zico, franzino ainda, jogando pelo juvenil do Flamengo. Na primeira investida do Galinho a galera foi ao delírio. O Rei do Maracanã – que ainda não tinha assumido o seu reinado, mas já dava para os súditos perceberem que seria um reinado de glórias – pega a bola no meio do campo e logo em seguida vem um adversário pra cima dele. Sem nenhum esforço joga a bola entre as canetas do pobre botafoguense. Essa uma das primeiras jogadas que vi do Rei do Maracanã e que ficou na minha retina. Nesse dia o juvenil do Flamengo venceu o do Botafogo por 2 a 1. Zico deixou o dele. O Maraca começava alí a conhecer o seu futuro Rei.
Detalhe: Os braços abertos (foto) correndo para a galera após marcar um gol se tornou uma marca do Rei do Maracanã
Foto: internet