– A época de ouro dos festivais de música popular vai até 1968, pois em dezembro daquele ano o Brasil entrou no inferno do AI-5 e os artistas, intimidados e censurados, não puderam mais exercer verdadeiramente o ofício.
O canto do cisne do período de maior efervescência musical que o país já conheceu foi o III Festival Internacional da Canção, da Rede Globo, realizado em setembro de 1968, em meio a passeatas que degeneravam em batalhas campais, mortes de opositores da ditadura, denúncias de torturas, ações armadas da esquerda, atentados dos grupos para-militares da direita [o Comando de Caça aos Comunistas acabara de espancar o elenco da peça Roda-Viva] – a ante-sala do inferno, enfim.
O então influente Jornal da Tarde (SP), naquele final de 1968, dia após dia dedicava suas manchetes e principis matérias ao “terrorismo”, fazendo alarmismo para enlouquecer a classe média e favorecer a linha militar na luta interna em que se decidia o rumo do regime.
Pode-se pensar em festivais num momento desses?
* O trecho acima faz parte do artigo do jornalista Celso Lungaretti publicado no Congresso em Foco para lembar os 40 anos dos festivais da canção