Não está fácil chegar em casa na Cidade do Sol. Aliás, está começando a ser difícil chegar com vida em casa na cidade antes conhecida por ser pacata e ordeira.
Agora, enquanto o noticiário policial está recheado de fatos e o aparato das autoridades de repressão criminal não consegue se modernizar em prol da população, as pessoas sofrem com os mais diversos tipos de atentados, que vão do simples roubo até a tentativa de assassinato por motivos banais.
Na madrugada de quinta-feira, enquanto voltada de uma festa e ia em direção a sua residência, utilizando a Rota do Sol, uma das principais vias do turismo em Natal, uma economista funcionária do Tribunal Regional do Trabalho teve o seu carro batido por outro que trafegava em sentido contrário, portanto, na contramão, com os faróis apagados. Dentro dois rapazes. Um deles desceu e se dirigiu à senhora que estava sozinha e sem poder sair porque o veículo teve a barra de direção quebrada.
– Acho que vou lhe matar, galega!
Drogado, encostou uma arma no rosto da mulher que implorou por sua vida. Não satisfeito, deu coronhadas no carro e depois disparou sua arma várias vezes contra o párabrisa do automóvel. A mulher deitada nos dois bancos dianteiros, esperou a morte. Depois de provocar o terror e o prejuízo o homem foi embora incólume.
Tudo isso se passou nas proximidades de um posto policial pródigo em fiscalizar e pedir documentos a maioria dos motoristas que trafegam por aquela estrada. Os policiais não puderam atender e nem verificar o motivo dos estampidos, porque a exemplo de séculos anteriores ao XX, e olhe que estamos no XXI, eles não dispunham de uma viatura para socorrer a cidadã que com os seus impostos pagam o trabalho não realizado.
Por Leonado Sodré
* Léo Sodré é jornalista, escritor, repórter de Política do jornal Correio da Tarde e colaborador do Blog