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O católico Frei Gilson voltou ao centro de um intenso debate público após declarações sobre o papel das mulheres na sociedade e na família. As falas, que circularam amplamente nas redes sociais, motivaram críticas de políticos, jornalistas e internautas. As informações são do g1.
A repercussão ganhou força depois que a senadora Soraya Thronicke classificou o religioso como “falso profeta” e o acusou de misoginia. Outras figuras públicas, como a jornalista Rachel Sheherazade e a deputada Tabata Amaral, também se manifestaram contra o conteúdo das declarações.
Com mais de 12 milhões de seguidores nas redes sociais, Frei Gilson é conhecido por mobilizar grandes audiências em transmissões religiosas. Ao longo dos anos, no entanto, ele também acumulou posicionamentos controversos sobre temas como feminismo, racismo, aborto, política e relações homoafetivas.
A polêmica mais recente teve origem em um vídeo no qual o religioso associa o empoderamento feminino a uma “ideologia dos tempos atuais” e defende a liderança masculina no ambiente familiar. “É claro ver que Deus deu ao homem a liderança. É claro ver que Deus deu ao homem o ser o chefe. Isso está na Bíblia. O homem é o chefe do lar. O homem foi dado a ele a liderança. Mas a mulher tem o desejo de poder. Não é desejo de serviço, desejo de poder. Repito a palavra, empoderamento. Essa palavra é do mundo atual”, afirmou.
No mesmo discurso, ele critica o que chama de “guerra dos sexos” e apresenta uma interpretação religiosa sobre o papel feminino. “Portanto, eu já começo a falar: a guerra dos sexos é ideologia pura. A guerra de masculino com feminino é diabólica”, declarou. Ao citar um trecho bíblico, acrescentou: “Para curar a solidão do homem, Deus fez você. Olha o texto bíblico: Gênesis 2, 18. O que está escrito aí? ‘Vou dar-lhe uma auxiliar que lhe seja adequada’. Deus faz uma promessa para Adão. Eu vou fazer alguém para ser sua auxiliar. Aqui você já começa a entender qual é a missão de uma mulher. Ela nasceu para auxiliar o homem”.
Outras falas do religioso também voltaram a circular após a repercussão. Em temas ligados à moral sexual, ele reforçou posições alinhadas à doutrina católica. “Se a tua igreja está dizendo que não pode homem com homem, mulher com mulher, não pode. Quem está falando isso é tua igreja. Pronto, acabou. É a Bíblia, a palavra, catecismo, igreja”, disse em uma pregação.
Ao abordar debates contemporâneos, Frei Gilson também utilizou a expressão “geração do mimimi”, o que gerou críticas por minimizar discussões sobre racismo e preconceito. “Pretinha aqui, Pretinha, a gente tem a nossa querida Pretinha aqui, todo mundo chama ela de Pretinha. É o nome que a gente gosta de chamar, carinhosamente, e aí… é preconceito. É a geração do mimimi, é a geração do dodói, talvez por causa disso”, afirmou.
Em outro momento, durante uma transmissão religiosa, o sacerdote fez referência ao comunismo em uma oração: “Não permitais, Senhor e Rainha de Nazaré, que os erros da Rússia venham a assolar o Brasil, como bem afirmou Nossa Senhora em Fátima”. A fala foi seguida por outro religioso, que completou: “Livra-nos, Mãe de Deus e nossa, do flagelo do comunismo”.
Sobre temas como aborto e morte assistida, Frei Gilson também adotou posicionamento firme, defendendo que a vida não deve ser determinada por decisões humanas. “É claro que nós vivemos num mundo onde se acha que eu tenho poder sobre a vida. Por isso, para mim, é inadmissível quando um ser humano quer dizer quem vai nascer e quem vai morrer no ventre de sua mãe. Isso é um absurdo, porque a vida não está na mão do ser humano”, afirmou.
Diante da repercussão, a assessoria do religioso informou ao g1 que ele mantém foco em suas atividades pastorais e não costuma se pronunciar sobre reações públicas às suas falas.
As críticas nas redes sociais se multiplicaram. A jornalista Rachel Sheherazade escreveu: “Jesus não veio pregar o moralismo, mas sim a misericórdia, o repartir do pão, o respeito às mulheres, aos marginalizados e aos mais pobres”. Já Tábata Amaral ponderou: “Ele diz que a mulher deve ser auxiliar do homem. Obviamente, eu não concordo com essa frase. Toda a minha trajetória profissional vai na direção oposta dessa frase”.
Internautas também expressaram indignação, classificando as declarações como misóginas e ultrapassadas, além de criticarem possíveis impactos negativos na luta por igualdade de gênero e no combate ao racismo.
Foto: Revista Ana Maria