Está no Estado de S. Paulo
Em conturbada audiência na Câmara dos Deputados, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, prometeu cortar gastos de custeio e zerar o déficit nominal “nos próximos anos”. Mas o otimismo do ministro foi alvo de pesadas críticas de parlamentares, que atribuíram a ele parte da culpa pela insatisfação dos manifestantes que estão nas ruas há quase um mês. O clima foi pesado. Apenas seis deputados estavam na Comissão de Finanças e Tributação quando o ministro Mantega chegou. Tão logo se acomodou, o deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ) disparou: “Uma audiência com o ministro da Fazenda com esse quórum… ou o ministro está muito fraco ou os deputados já foram embora”. Mantega ignorou a provocação, e iniciou sua apresentação sobre o cenário econômico.
“Aplicamos nos últimos três anos uma nova matriz macroeconômica, que buscou juros mais baixos para consumidores, investidores e empresários. Também implementamos uma taxa de câmbio mais competitiva. Ano passado, desvalorizamos o real em cerca de 17%, dando mais competitividade para a indústria”, disse o ministro, que reforçou o compromisso do governo em economizar o equivalente a 2,3% do PIB para pagar os juros da dívida pública.
A apresentação foi considerada muito otimista pela oposição. Maia disse que “não dá para acreditar na apresentação do ministro” e que “a crise de confiança se chama Guido Mantega e equipe econômica”. Em seguida, o deputado do DEM sugeriu a demissão do ministro, reforçando os boatos que têm ganhado força no mercado. Como informou ontem o Estadão, a demissão de Mantega não é cogitada no Palácio do Planalto.
Em tempo: Leia Editorial que escrevi sobre a situação do ministro Mantega no dia 16 de junho clicando aqui [1]