Está no g1
A Polícia Federal [1], o Ministério Público e o Ministério da Justiça [2] investigam as responsabilidades pela depredação da Praça dos Três Poderes por bolsonaristas radicais no último domingo (8), em Brasília. Os terroristas invadiram e vandalizaram os prédios do Congresso Nacional [3], do Palácio do Planalto e do Supremo Tribunal Federal (STF [4]).
Veja nesta reportagem:
- o que se sabe sobre os bolsonaristas presos
- quem são os financiadores do ataque
- quem incitou os terroristas
- como foi a ação da polícia e do Exército no momento da invasão
Quem quebrou
Mais de 1,4 mil bolsonaristas radicais estão presos [5] no DF após os ataques, segundo dados do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Pouco mais de 200 foram detidos em flagrante, ainda durante o quebra-quebra, e o restante no acampamento golpista instalado em frente ao Quartel-General do Exército, já na segunda-feira (9). Os homens presos foram levados para o Complexo da Papuda. As mulheres, para a Penitenciária Feminina do DF, conhecida como Colmeia.
Os idosos representam 3,5% dos presos. A maioria (67%) é de pessoas entre 40 e 59 anos [6]. O mais velho é um idoso de 86 anos, e o mais jovem tem 18 anos.
Parte foi identificada ao postar nas redes sociais fotos e vídeos da invasão e depredação dos prédios públicos. Veja aqui a lista com mais de mil nomes [7] e aqui informações adicionais sobre alguns deles [8].
Quem financiou
A Advocacia-Geral da União (AGU) identificou 52 pessoas e sete empresas [9]suspeitas de terem financiado a manifestação golpista e pediu o bloqueio de R$ 6,5 milhões em bens (veja os nomes [10]). A Justiça aceitou o pedido [11] na noite desta quinta (12). Segundo as investigações, o grupo bancou os ônibus que transportaram os bolsonaristas radicais e os custos do acampamento em frente ao QG do Exército.
Empresários e colecionadores de armas [12] estão entre os financiadores, segundo apuração da TV Globo. A maior parte é do Paraná, de Mato Grosso do Sul e de São Paulo. Quase 90 veículos foram apreendidos (saiba quem são os donos [13]).
O acampamento golpista, que durou dois meses e só foi desmontado pela Polícia Militar do DF e pelo Exército após os atentados de domingo, e por ordem do Supremo Tribunal Federal (STF), tinham uma superestrutura com banheiro químico, comida à vontade e até uma espécie de igreja.
Quem incitou
Os bolsonaristas terroristas miraram locais que foram hostilizados pelo ex-presidente Jair Bolsonaro [14] durante todo o seu mandato. Por quatro anos, Bolsonaro xingou ministros do STF, pregou contra as urnas eletrônicas, pôs em dúvida o sistema eleitoral sem nunca apresentar provas e participou de atos golpistas e antidemocráticos que pediam intervenção militar e o fechamento do Congresso e do Supremo. Confira frases e ações de Bolsonaro que serviram de estímulo aos ataques [14].
Nesta quinta (12), a Procuradoria-Geral da República pediu ao STF a abertura de um inquérito para investigar os autores intelectuais do ataque [15] — pessoas que, mesmo sem participar diretamente das ações criminosas, poderiam ser responsabilizadas porque estimularam a conduta violenta dos radicais propagando teorias golpistas e atacando a legitimidade da democracia brasileira.
Embora não cite diretamente Bolsonaro, a petição aponta todos aqueles que, “mesmo estando no exterior”, atacaram as urnas e o STF, insinuaram fraude eleitoral e tentaram deslegitimar quem foi eleito. Bolsonaro está nos Estados Unidos desde o fim de dezembro, e nesta semana voltou a postar em uma rede social mentiras [16] sobre urnas e fraude eleitoral, repetindo o comportamento que teve durante todo o ano passado.
Apoio de deputados
Parlamentares bolsonaristas também são acusados de apoiar os atos terroristas. O Grupo Prerrogativas, de advogados e juristas, pediu ao ministro Alexandre de Moraes, presidente do Tribunal Superior Eleitoral, para que 6 deputados federais e estaduais eleitos tenham a diplomação suspensa e sejam impedidos de assumir o mandato. (Veja aqui quem são eles [17]).
Na lista está Nikolas Ferreira (PL), o deputado mais votado da história de Minas Gerais.
Como agiram as forças de segurança
A atuação da Polícia Militar, do governo do DF e do Exército foi muito questionada. Ninguém foi capaz de impedir a depredação dos prédios. O Exército, que tem um batalhão específico para proteger o palácio presidencial, falhou na missão. Pior: há indícios de que houve conivência com os terroristas, como indicam depoimentos de bolsonaristas [18] presos e vídeos feitos durante a invasão [19].
Na quinta (12), o presidente Luiz Inácio Lula [20] da Silva disse estar convencido de que tanto a PM quanto o Exército foram coniventes e de que alguém facilitou a entrada dos terroristas [21] no Palácio do Planalto.
Ainda no domingo, Lula assinou um decreto de intervenção para assumir o controle da segurança pública do DF.
O então secretário da área, Anderson Torres [22], ex-ministro e aliado próximo de Bolsonaro, foi demitido pelo governador Ibaneis Rocha. Na terça (10), o ministro Alexandre de Moraes determinou a prisão de Torres, que está nos EUA e ainda não voltou ao Brasil.
O coronel Fábio Augusto [23], que chefiava a PM no dia dos ataques, foi preso também por ordem do STF, e Ibaneis Rocha foi afastado do cargo por 90 dias.
Passagem livre
Vídeos que circulam nas redes sociais mostram a inércia da PM no início da invasão. Em uma das cenas, policiais apenas observam a passagem dos vândalos nas escadas do Congresso. Alguns deles chegam a fazer sinais para que os golpistas seguissem em frente.
O reforço policial só chegou à Praça dos Três Poderes quando o cenário era de destruição. Homens da Tropa de Choque e da cavalaria conseguiram retomar os prédios, retirar e prender os criminosos quase três horas depois.
Foto reproduzida da Internet