- blogdobarbosa - https://blogdobarbosa.jor.br -

Banco pivô de escândalo financeiro no Paraguai patrocinou evento com Eduardo Bolsonaro em Mar-a-Lago

Está na Fórum

O Ueno Bank, banco paraguaio que entrou em processo de fechamento após uma crise de solvência e deixou cerca de 3 milhões de clientes sem acesso às contas, foi um dos principais patrocinadores de um evento da direita internacional que contou com a participação de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos. A ligação foi denunciada pelo deputado federal Alencar Santana (PT-SP) e aparece em registros da cerimônia realizada no clube Mar-a-Lago, de Donald Trump, na Flórida.

Em publicação na quarta-feira (4), Alencar afirmou ter apresentado o caso na Comissão de Relações Exteriores da Câmara. O parlamentar destacou que a instituição financeira, agora sob intervenção do Banco Central do Paraguai, destinou recursos ao patrocínio de uma reunião de lideranças conservadoras internacionais.

O evento ocorreu em 10 de fevereiro de 2026. Fotografias mostram Eduardo Bolsonaro diante de um painel com o logotipo do Ueno Bank, que figurava entre os patrocinadores da categoria Diamond da Hispanic Prosperity Gala, organizada pela plataforma Latino Wall Street.

Ueno Bank patrocinou encontro com Eduardo Bolsonaro no clube de Trump

A cerimônia reuniu empresários, dirigentes políticos e representantes da direita latino-americana em Mar-a-Lago, propriedade de Donald Trump em Palm Beach. Eduardo Bolsonaro participou presencialmente. O presidente argentino Javier Milei, anunciado entre os convidados, enviou uma mensagem gravada.

O Ueno Bank apareceu como um dos seis patrocinadores Diamond, categoria superior às modalidades Gold e Silver. Na tabela divulgada pelos organizadores, a cota Diamond era oferecida por US$ 100 mil (cerca de R$ 500 mil). O valor pago pela instituição paraguaia não foi divulgado.

Eduardo Bolsonaro também participou da homenagem ao consultor político argentino Fernando Cerimedo, conhecido por disseminar acusações infundadas de fraude nas eleições brasileiras de 2022.

Na mesma cerimônia, Eduardo entregou a Cerimedo um prêmio de consultor político hispânico do ano. A Fórum já documentou a atuação internacional de Cerimedo [1], suas relações com o bolsonarismo e a articulação com operadores políticos ligados ao trumpismo.

Banco ligado a ex-sócios do presidente paraguaio entrou em colapso

A crise do Ueno Bank tornou-se pública em 3 de novembro, quando o Banco Central do Paraguai anunciou a intervenção na instituição. A decisão havia sido aprovada por unanimidade no dia anterior, após a constatação de que o índice de solvência do banco estava abaixo de 50% do mínimo legal exigido.

O procedimento de resolução bancária suspendeu operações, transferências e o acesso às contas. Cerca de 3 milhões de clientes foram afetados, provocando filas nas agências e manifestações de depositantes preocupados com a recuperação de suas economias.

A instituição administrava entre US$ 800 milhões e US$ 850 milhões (de R$ 4 bilhões a R$ 4,25 bilhões) em recursos públicos paraguaios. Desse montante, aproximadamente US$ 380 milhões (cerca de R$ 1,9 bilhão) pertenciam ao Instituto de Previdência Social (IPS), responsável por aposentadorias e serviços de saúde.

O principal acionista do banco é o Grupo Vázquez, conglomerado empresarial que manteve relações societárias com o presidente paraguaio Santiago Peña até março de 2025. O crescimento dos depósitos de instituições públicas no Ueno já vinha sendo questionado pela oposição e por especialistas no país.

A crise também atingiu a direção da instituição. Autoridades paraguaias determinaram a prisão de oito pessoas, incluindo dirigentes bancários, no âmbito de investigações sobre suspeitas de irregularidades financeiras.

Milhões de clientes aguardam devolução do dinheiro

O Banco Central do Paraguai informou oficialmente [2] que os depósitos possuem garantia de até 228,3 milhões de guaranis por titular, aproximadamente US$ 38 mil (cerca de R$ 190 mil). A cobertura deve alcançar integralmente cerca de 97% dos depositantes, conforme estimativas preliminares.

Na quarta-feira (4), a autoridade monetária anunciou um mecanismo de antecipação de pagamentos de até 40 salários mínimos paraguaios por cliente, equivalente a 121,76 milhões de guaranis, descontadas eventuais dívidas vencidas com a instituição. O processo está previsto para começar nesta quinta-feira (5).

O escândalo provocou uma crise política no governo Santiago Peña, com pedidos de investigação, cobranças pela recuperação de recursos públicos e manifestações favoráveis à abertura de um processo de impeachment.

Patrocínio amplia questionamentos sobre relações internacionais

A participação do Ueno Bank na gala de Mar-a-Lago coloca sob escrutínio os gastos de uma instituição financeira que administrava centenas de milhões de dólares de recursos públicos e mantinha proximidade empresarial com o entorno do presidente paraguaio.

Foto reproduzida da Internet

Compartilhe:
[3] [4]