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O primeiro turno das eleições legislativas da França [1], convocadas há apenas três semanas, terminou neste domingo (30) com recorde de participação em 40 anos e a concretização da extrema direita como favorita, segundo pesquisas de boca de urna.
O cenário pode tornar o governo de Macron inviável na prática (leia mais abaixo).
Segundo uma sondagem feita pelos institutos Ifop, Ipsos, OpinionWay e Elable e pela Rádio França [1], o partido Reunião Nacional (RN), de Marine Le Pen [2], saiu na frente neste primeiro turno, com 34% dos votos.
O bloco formado por siglas da esquerda aparece em segundo lugar, com 28,1%, e a coalizão de centro liderada pelo partido do presidente francês, Emmanuel Macron [3], em terceiro, com 20% dos votos.
Diante da pesquisa, Macron sugeriu uma aliança ampla entre “candidatos republicanos e democráticos” para o segundo turno das eleições, que acontecem em 7 de julho. Já Marine Le Pen [2] pediu aos franceses que deem a maioria absoluta no Parlamento à sua sigla no segundo turno.
E nomes da coligação de esquerda, a Nova Frente Popular (NFP), começaram a indicar uma aliança com Macron ou até o apoio total ao bloco de centro. Jean-Luc Melanchon, o líder da França [1] Insubmissa, um dos partidos que integram o bloco da esquerda, disse após a votação que vai retirar seus candidatos caso a coligação termine em terceiro.
O resultado parcial da apuração dos votos está previsto para sair às 23h no horário local (18h pelo horário de Brasília).
Pelo sistema político da França [1], semipresidencialista, os eleitores elegem os partidos que vão compor o Parlamento. A sigla ou a coalizão que obtiver mais votos indica então o primeiro-ministro, que, no país europeu, governa em conjunto com o presidente — este eleito em eleições presidenciais diretas e separadas das legislativas e que, na prática, é quem ganha mais protagonismo à frente do governo.
Caso o presidente e o primeiro-ministro sejam de partidos políticos diferentes, a França [1] entrará em um chamado governo de “coabitação”, o que ocorreu apenas três vezes na história do país europeu e que pode paralisar o governo de Macron. Isso porque, neste caso, o premiê assume as funções de comandar o governo internamente, propondo, por exemplo, quem serão os ministros.
O primeiro-ministro atual, Gabriel Attal, é aliado de Macron, mas, se as pesquisas se concretizarem, quem deve assumir o cargo é o Jordan Bardella [4], de apenas 28 anos, o principal nome do partido de extrema direita de Le Pen, o Reunião Nacional (RN).
Após o fechamento das urnas neste domingo, Bardella disse que a votação do segundo turno, na semana que vem, será o “momento mais importante da história da Quinta República da França [1]“.
O pleito foi convocado antecipadamente no início de junho pelo presidente francês. Diante do resultado ruim de seu partido e do avanço da extrema direita nas eleições para o Parlamento europeu — o Legislativo de todos os países da União Europeia, com sede em Bruxelas [5] –, Macron tomou a arriscada e surpreendente decisão de dissolver o Legislativo [6]francês e marcar uma nova votação.
A resposta dos eleitores neste domingo, por enquanto, foi grande: o comparecimento às urnas até as 17h no horário local (meio-dia no Brasil), foi o mais alto em quase 40 anos no país, com um índice de 59% do total de votantes.
O índice é considerado alto para eleições na maioria dos países da Europa Ocidental, onde o voto não é obrigatório. Nas eleições passadas da França [1], em 2002, a participação foi de cerca de 47%, por exemplo.
As eleições parlamentares são realizadas em dois turnos — um neste domingo e o outro, em 7 de julho.
Imagens: Poder 360