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Bolsonaro diz que, se resolvesse, daria `murro na mesa´ da Petrobras para reduzir preço do combustível

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Embora frequentemente repita que não interfere na Petrobras [1], o presidente Jair Bolsonaro [2] disse nesta quinta-feira (10) que, “se resolvesse”, daria “murro na mesa” para obrigar a estatal a reduzir os preços dos combustíveis.

O governo é o principal acionista da Petrobras [1], empresa de economia mista cujas ações são negociadas em bolsas de valores no Brasil e no exterior. Declarações anteriores do presidente sobre a estatal já provocaram baixa no preços de mercado dos títulos da empresa.

“O Brasil é autossuficiente em petróleo. Não precisava estar sofrendo como sofre hoje em dia se não fossem políticas erradas lá de trás”, disse Bolsonaro. “Alguns querem que eu vá lá na Petrobras [1] dar um murro na mesa e resolva. Não é assim. Se resolvesse, até faria. Mas não vai resolver, vai piorar a situação. Estamos devagar — ou na velocidade do possível — buscando alternativas”, declarou na noite desta quinta durante transmissão ao vivo por redes sociais.

Bolsonaro costuma dizer que a Petrobras [1] tem gestão independente e que o governo federal não pode interferir na política de preços da empresa — desde 2016, a estatal adota a Paridade de Preço de Importação (PPI), pela qual os preços dos combustíveis no Brasil seguem o praticado no mercado internacional.

Pela manhã, a Petrobras anunciou um aumento de 18,8% nos preços da gasolina e de 24,9% para o diesel, [3] após 57 dias sem reajustes.

Bolsonaro e a gestão da Petrobras [1]

Mesmo afirmando que não interfere na Petrobras [1], o presidente Jair Bolsonaro [2] já impôs sua vontade e fez a empresa rever decisões em várias ocasiões.

Em abril de 2019, no primeiro ano de governo Bolsonaro, a Petrobras desistiu de realizar um aumento do preço do diesel após uma determinação  [4]do presidente.

Para justificar a manutenção do preço, a estatal afirmou que havia margem para postergar o aumento do diesel por “alguns dias”. No dia seguinte ao anúncio, a empresa perdeu R$ 32 bilhões em valor de mercado.

“Liguei para o presidente, sim. Me surpreendi com o reajuste de 5,7%. Não vou ser intervencionista e fazer práticas que fizeram no passado, mas quero os números da Petrobras [1], tanto é que na terça-feira convoquei todos da Petrobras [1] para me esclarecer por que 5,7% de reajuste, quando a inflação deste ano está projetada para menos de 5%”, afirmou o presidente na ocasião [5].

Mesmo assim, na semana seguinte, o então porta-voz da Presidência da República, Otávio Rêgo Barros, disse que o presidente Jair Bolsonaro [2] afirmou, durante reunião no Palácio do Planalto, que “não quer” e “não pode” [5] intervir na política de preços dos combustíveis adotadas pela Petrobras [1].

Em fevereiro de 2021, após uma série de declarações questionando os aumentos dos preços de combustíveis realizados pela Petrobras, Bolsonaro anunciou a indicação do general da reserva Joaquim Silva e Luna como novo presidente da empresa. [6] Ele sucedeu Roberto Castello Branco, indicado por Bolsonaro após as eleições de 2018.

Em duas semanas após a troca, a Petrobras perdeu R$ 108 bilhões em valor de mercado [7]. O anúncio também foi mal recebido por analistas e antigos aliados [8] do presidente. Eles elogiaram o trabalho que Castello Branco vinha fazendo e apontaram prejuízos à Petrobras em razão de relacionarem a decisão a interesses eleitorais do presidente.

Dois meses após mudar o presidente da empresa, Bolsonaro afirmou que não iria interferir na Petrobras, mas disse que poderia mudar a “política de preços” [9] da estatal com o apoio da Câmara dos Deputados.

As críticas de Bolsonaro ao posicionamento comercial da companhia [10] não pararam. Na última segunda-feira (7), ele se queixou da paridade no preço do petróleo e disse que o governo se reuniria a fim de discutir medidas para a Petrobras não repassar toda a alta dos combustíveis para o consumidor.

 

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