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A defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro pediu que seu depoimento à Polícia Federal [1] (PF) na investigação que apura tramas golpistas envolvendo membros do governo e militares seja adiado.
Bolsonaro foi intimado a prestar depoimento sobre o tema na próxima quinta-feira (22), segundo informou o blog da Andréia Sadi. [2] Outros investigados da operação, incluindo dois ex-assessores do ex-presidente, também foram intimados a prestar depoimento no mesmo dia [3].
Em documento enviado ao Supremo Tribunal Federal (STF [4]), os advogados de Bolsonaro afirmaram que ele “opta por não prestar depoimento ou fornecer declarações adicionais até que seja garantido o acesso à integralidade das mídias dos aparelhos celulares apreendidos, sem abrir mão, por óbvio, de ser ouvido em momento posterior e oportuno.”
Na petição, os defensores do ex-presidente destacam que a decisão que autorizou a operação sobre o tema há duas semanas [5] “contém excertos de supostas conversas presentes nos celulares apreendidos ao longo de todo este procedimento investigatório, mídias as quais a Defesa não teve acesso até hoje.”
Os advogados do ex-presidente afirmaram que ele tem “total interesse em cooperar plenamente com a investigação e provar sua inocência”. Mas que, neste momento, buscam preservar o direito à ampla defesa.
Além do pedido de adiamento do depoimento, os advogados também reforçaram solicitação de acesso à delação premiada firmada pelo ex-ajudante de ordens da Presidência, Mauro Cid. [6]
A investigação
A operação Tempus Veritatis foi deflagrada no último dia 8 e teve como alvos, além do ex-presidente, ex-ministros e ex-assessores dele investigados por tentar dar um golpe de Estado no país [7] e invalidar as eleições de 2022, vencidas por Luiz Inácio Lula da Silva.
Desdobramento de inquéritos que tramitam no STF — o principal deles sendo o das milícias digitais –, a operação trabalha com a hipótese de que os alvos se dividiam em seis núcleos que agiam de forma simultânea e coordenada com objetivo de dar um golpe de Estado e impedir a posse do presidente Lula.
Parte da investigação envolve a realização de uma reunião ministerial em 15 de julho de 2022. Nela, Bolsonaro diz a ministros que eles não poderiam esperar o resultado da eleição para agir [8]. Os advogados do presidente afirmam, no entanto, que ex-presidente nunca pensou em golpe.
- Veja 10 trechos do vídeo da reunião entre Bolsonaro e ministros antes das eleições de 2022 [8]
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