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Bolsonaro usa Pazuello, mas mira no guarda da esquina

Está no Blog do Octavio Guedes

“Por bombas nos quartéis”. Essa foi a manchete da revista Veja, em 25 de outubro de 1987, na qual a repórter Cassia Maria Rodrigues denunciou que o capitão Bolsonaro e comparsas fardados planejavam promover explosões em unidades militares.

Seria um protesto contra a prisão do capitão Saldon Pereira Filho por indisciplina e quebra de hierarquia. O oficial havia protestado por melhores salários. Bolsonaro negou o plano bombástico e chamou a reportagem de “fantasia”, porque naquela época não se usava o termo fake news.

Três décadas e meia depois, a “bomba no quartel” de Bolsonaro tem três estrelas e se chama Eduardo Pazuello.

Na bomba de 87, Bolsonaro queria, segundo a revista Veja, mostrar que o então ministro do Exército, Leonidas Pires, “não exercia controle sobre a tropa”. Com a bomba três estrelas de 2021, Bolsonaro quer mostrar que é ele, e não general Paulo Sérgio, quem comanda a tropa.

Mas, se em 87 Bolsonaro mirava exclusivamente na desmoralização do Alto Comando, em 2021 sua bomba tem outro alvo: os oficiais de baixo escalão.

Se o Exército prevaricar e não punir Pazuello, o recado estará dado para soldados, cabos, tenentes e demais militares de baixa patente: vale tudo. Só não vale dançar homem com homem, nem mulher com mulher. O resto vale. Afinal, o bolsonarismo é conservador nos costumes e liberal na hierarquia militar e no assanhamento autoritário.

Seu discurso golpista e extremista tem mais eco nas baixas patentes do que entre oficiais mais graduados. É com eles – além de policiais militares – que o imaginário bolsonarista conta para um almejado golpe.

Conclusão

Na reunião em que se decidiu pela decretação do AI-5, o vice presidente Pedro Aleixo externou sua preocupação: “Presidente, o problema de uma lei assim não é o senhor, nem os que com o senhor governam o país. O problema é o guarda da esquina”.

O blog não é Mãe Dinah, mas, após ver Pazuello subir no palanque político com Bolsonaro, certamente Aleixo atualizaria sua frase para: “O problema não é o Pazuello, mas o que o guarda da esquina vai fazer com o exemplo do general”.

*Octavio Guedes é comentarista de política da GloboNews e eterno repórter. Participa do Estúdio I, Em Ponto e Edição das 10h

Foto reproduzida da Internet

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