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Bovespa cai mais de 2% e renova a pior pontuação do ano com preocupação sobre PEC dos Precatórios

Está no g1

O principal índice de ações da bolsa de valores de São Paulo, a B3 [1], fechou em forte queda nesta quinta-feira (4), com a incerteza em relação ao desfecho da PEC dos Precatórios [2] – que dribla o teto de gastos e viabiliza o financiamento do Auxílio Brasil no ano eleitoral de 2022.

O Ibovespa recuou 2,09%, a 103.412 pontos. Trata-se da pior pontuação de 2021 e a mais baixa desde 12 de novembro de 2020 (102.507 pontos). Veja mais cotações [3].

Na quarta-feira, a bolsa fechou em alta de 0,06%, a 105.617 pontos. No acumulado do mês, a bolsa tem alta de 2,04%. No ano, a perda é de 11,26%.

O mercado também teve impactos de uma série de resultados corporativos, como Itaú Unibanco, Rede D’Or e Ultrapar entre as maiores quedas, enquanto Cielo subia.

As ações de bancos tombaram, com Itaú recuando mais de 5%, enquanto Bradesco perdia mais de 6% e Banco do Brasil, 2,5%. Petrobras tombava mais de 3%. Já as ações da Cielo tinham alta de mais de 2%.

Já o dólar fechou em alta, acima dos R$ 5,60 [4].

Cenário

A aprovação apertada em primeiro turno do texto-base da PEC dos Precatórios ditou o rumo do mercado nesta quinta.

Apesar de não ser considerado o plano ideal e das fortes críticas que recebeu na ocasião do anúncio da proposta, [5] o mercado se resignou de que é opção possível para a adoção do Auxílio Brasil, destaca a agência Reuters.

Na madrugada desta quinta-feira, a Câmara dos Deputados aprovou em votação apertada o texto-base da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) dos Precatórios [2]. Os parlamentares ainda precisam votar os chamados destaques (sugestões pontuais de alteração no texto principal) e o segundo turno.

A PEC é a principal aposta do governo para viabilizar o programa social Auxílio Brasil — anunciado pelo governo para suceder o Bolsa Família. A proposta adia o pagamento de precatórios (dívidas do governo já reconhecidas pela Justiça), a fim de viabilizar a concessão de pelo menos R$ 400 mensais aos beneficiários do novo programa.

O governo, contudo, voltou a negociar com aliados depois de ameaças de que a proposta fosse barrada na segunda votação. O presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), informou que a votação da proposta será retomada na próxima terça (9) [6].

O risco de rejeição foi levantado porque, dos 312 votos favoráveis à PEC dos Precatórios, 25 vieram de partidos que fazem oposição ao governo Jair Bolsonaro. Dentre 21 votos de deputados do PDT, 15 votaram a favor da PEC. No PSB, foram 10 em 31.

Mais gastos

Se a PEC dos Precatórios não for aprovada e, consequentemente, o Auxílio Brasil não sair do papel, o plano B do governo pode ser prorrogar o Auxílio Emergencial.

Segundo o blog do Valdo Cruz, a possibilidade de prorrogação do Auxílio Emergencial preocupa a equipe econômica [7] por causa do custo do programa.

O Auxílio Brasil demandaria um orçamento no próximo ano na casa de R$ 81 bilhões. Já o Auxílio Emergencial prorrogado pode superar R$ 100 bilhões. São despesas ficariam totalmente fora do teto dos gastos públicos, criando mais incerteza no mercado.

Cena externa

Na cena externa, o Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA), anunciou na quarta-feira que vai começar a reduzir neste mês seu programa de estímulo à economia por meio da compra de títulos [8], com planos de encerrar as compras mensais no próximo ano. Por outro lado, sinalizou que não tem pressa para elevar os juros.

Com juros estáveis nos EUA e em trajetória de alta no Brasil, a perspectiva de abertura adicional dos diferenciais de juros favorece uma valorização da moeda brasileira, à medida que estimula o fluxo de dólares de investidores estrangeiros para o Brasil.

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