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Brasil avalia que EUA atropelaram rito ao indicar embaixador sem consulta prévia

Está no g1

O governo de Donald Trump revogou o visto da embaixadora brasileira nos EUA, Maria Luiza Ribeiro Viotti, [1] nesta terça-feira (4), como medida de recíprocidade contra a demora da aprovação do novo embaixador norte-americano no Brasil, Daniel Perez. No entanto, Brasília avalia que Washington atropelou o rito diplomático ao indicar Perez.

Segundo fontes do governo brasileiro, a indicação de Perez foi enviada ao Senado dos Estados Unidos [2] antes de uma consulta formal ao Brasil, procedimento previsto na prática diplomática internacional e na Convenção de Viena.

O Brasil, então, só teria tomado conhecimento da indicação do diplomata quando o nome já estava em tramitação no Congresso norte-americano, apurou a GloboNews.

Além do rito, interlocutores do Palácio do Planalto também questionam o momento escolhido pelo governo Trump para pressionar pela nomeação.

Segundo essas fontes, durante todo o período em que a embaixada dos Estados Unidos em Brasília esteve sem um embaixador, a Casa Branca não demonstrou preocupação com a demora na substituição do chefe da missão diplomática, que vinha sendo comandada pelo encarregado de negócios, Gabriel Escobar.

Nos bastidores, a avaliação é que a revogação do visto de Maria Luiza Viotti tem como objetivo pressionar o governo brasileiro a conceder o agrément— autorização diplomática necessária para que um embaixador estrangeiro assuma o cargo — a Daniel Perez.

Diplomatas ouvidos pelo governo afirmam que a indicação de Perez não deverá ser rejeitada por motivos ideológicos, mas ressaltam que o Brasil seguirá o procedimento adotado em casos semelhantes. A análise incluirá o histórico do indicado e eventuais manifestações públicas ou condutas que possam ser consideradas incompatíveis com a função diplomática.

Além disso, fontes do governo também afirmam que a tendência é que o agrément não seja analisado antes das eleições presidencias de outubro.

Alguns integrantes do governo ainda avaliam que a pressão exercida por Washington tem relação com o cenário político brasileiro e interpretam a indicação de Perez, aliado do movimento MAGA (“Make America Great Again”), como parte dessa estratégia.

Escalada de tensões

Não é de hoje que a relação Brasil-EUA não está das melhores. Em julho do ano passado Donald Trump [3] anunciou uma das rodadas de tarifas sobre produtos brasileiros importados pelos norte-americanos.

Na época, o republicano justificou o tarifaço pelo que chamou de “caça às bruxas” [4] contra o ex-presidente Jair Bolsonaro.

Nos meses seguintes, negociações entre o governo brasileiro e a Casa Branca ajudaram a reduzir as tensões. No fim de 2025, os Estados Unidos aliviaram as tarifas e retiraram algumas sanções contra autoridades brasileiras.

Além disso, Lula e Trump se encontraram duas vezes. O presidente brasileiro visitou Washington em 7 de maio [5] para se reunir com o líder americano, que chegou a elogiar o petista após os encontros.

No entanto, a relação entre os dois países voltou a se desgastar no fim de maio, quando os Estados Unidos classificaram as facções brasileiras Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas. [6]

A decisão foi anunciada dias após o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência da República, se reunir com Trump e com o secretário de Estado, Marco Rubio, nos Estados Unidos.

Semanas depois, os Estados Unidos anunciaram novas tarifas contra o Brasil. Em 22 de julho, entrou em vigor uma taxa de 25% como resultado de uma investigação aberta com base na Seção 301 da Lei de Comércio.

A medida foi anunciada após o governo Trump concluir que o Brasil adota práticas que “oneram ou restringem” o comércio com os EUA. Entre os exemplos citados estão o sistema de pagamentos PIX e a regulação de plataformas digitais.

Dois dias depois, os EUA confirmaram outra tarifa, de 12,5%, contra o Brasil e dezenas de outros países. O governo americano alegou práticas comerciais desleais pela falta de combate ao trabalho forçado.

Ainda no dia 24 de julho, o Itamaraty negou vistos a dois diplomatas do Departamento de Estado que viajariam ao Brasil: o secretário-assistente Riley M. Barnes e o subsecretário-assistente Samuel Samson.

blog da Andreia Sadi revelou que o governo brasileiro já esperava algum tipo de retaliação após a negativa dos vistos. Fontes do Itamaraty avaliavam uma reação no campo diplomático, com novas restrições de vistos.

Foto reproduzida da Internet

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