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O Brasil foi o país mais prejudicado pela nova reformulação das tarifas de importação dos Estados Unidos anunciada pelo presidente Donald Trump, segundo análise publicada pelo Financial Times nesta sexta-feira (24).
De acordo com levantamento da organização independente Global Trade Alert, a tarifa efetiva aplicada aos produtos brasileiros subiu de 11% para 17,7%, o maior aumento entre os principais parceiros comerciais dos EUA.
Enquanto isso, países europeus passaram a enfrentar tarifas menores. França, Reino Unido [1], Alemanha e Espanha tiveram redução nas alíquotas efetivas.
Para manter a política tarifária em vigor, o governo americano substituiu a tarifa global temporária de 10% por taxas específicas para cada país, com base na Seção 301 da Lei de Comércio dos EUA [2].
Segundo George Riddell, diretor da consultoria Goyder, em entrevista ao Financial Times, esse formato dificulta que uma decisão judicial derrube toda a política tarifária de uma só vez.
Se um país conseguir reverter a medida na Justiça, a decisão tende a valer apenas para ele.
Mesmo com a reformulação, a tarifa média efetiva cobrada pelos EUA sobre produtos importados permaneceu praticamente estável, em 10,8%, segundo a Global Trade Alert.
Na quinta-feira (23), os EUA anunciaram uma nova tarifa de 12,5% sobre produtos brasileiros e de outros 59 países [3], sob a justificativa de que essas nações não combatem de forma eficaz a importação de mercadorias produzidas com trabalho forçado.
A taxa entrou em vigor nesta sexta-feira e, como o Brasil já enfrenta uma tarifa adicional de 25%, parte das exportações brasileiras poderá ser taxada em até 37,5%.
O governo americano prevê exceções para produtos considerados estratégicos. (veja a lista [4])
Já o governo brasileiro negocia uma resposta à medida e ampliou o apoio às empresas afetadas por meio do Plano Brasil Soberano, que já liberou R$ 18,5 bilhões em crédito [5] para os setores atingidos.
Europa ganha vantagem
O estudo mostra que a Europa saiu relativamente beneficiada pela nova política. Bélgica, Espanha e Itália registraram as maiores reduções nas tarifas efetivas, entre 1 e 1,5 ponto percentual.
Segundo Johannes Fritz, diretor-executivo da Global Trade Alert, isso ocorreu porque parte das exportações europeias se enquadra em exceções criadas pelos EUA para produtos como diamantes, cortiça e ferro-gusa.
Além disso, a tarifa básica de 10% aplicada à União Europeia [6] deixou de ser acumulada com outras cobranças, reduzindo o peso total das taxas sobre diversos produtos europeus.
“As tarifas aumentam, principalmente para o Brasil, mas também para a China. Em geral, elas caem para os europeus, ainda que ligeiramente”, afirmou Fritz ao Financial Times.
América Latina e Ásia também perderam
Além do Brasil, países da América Latina e da Ásia também foram afetados. China, Vietnã, Indonésia, Chile e Colômbia registraram aumentos entre 0,5 e 1 ponto percentual nas tarifas efetivas.
Embora a União Europeia tenha recebido positivamente as novas tarifas, o bloco teme novas investigações comerciais conduzidas pelos EUA que podem resultar em tarifas adicionais sobre setores industriais.
Caso isso ocorra, a Comissão Europeia mantém preparado um pacote de retaliação sobre cerca de € 93 bilhões (aproximadamente R$ 590 bilhões) em exportações americanas, incluindo automóveis, bourbon e soja.
Foto reproduzida da Internet