- blogdobarbosa - https://blogdobarbosa.jor.br -

BRB: decisão de comprar Master foi tomada em reunião na Suíça com Ibaneis, Paulo Henrique e Vorcaro, aponta Polícia Federal

Está no g1

A tentativa de compra do Banco Master pelo Banco de Brasília (BRB) começou a ser discutida em uma reunião em Zurique, na Suíça, em janeiro de 2025, segundo novos relatórios [1]enviados pela Polícia Federal [2] ao Supremo Tribunal Federal (STF [3]).

O encontro reuniu o então governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), o empresário Daniel Vorcaro, dono do Master até a liquidação do banco, e Paulo Henrique Costa, que presidia o BRB.

De acordo com os investigadores, as tratativas já vinham sendo preparadas desde outubro de 2024 – quando o BRB colocou ações no mercado para tentar captar até R$ 1 bilhão e ampliar o capital social.

Essa articulação funcionava como “etapas preparatórias para a consolidação futura” da aquisição do Banco Master.

A TV Globo tenta contato com a defesa de Daniel Vorcaro e Paulo Henrique Costa. Em nota, a defesa de Ibaneis diz que o ex-governador “não pressionou e tampouco teve qualquer ingerência nas operações realizadas pelo BRB” (veja íntegra no final da reportagem).

“Por fim, importante ressaltar que o próprio relatório demonstra que Ibaneis Rocha não é interlocutor direto em nenhuma mensagem com Daniel Vorcaro e seu nome somente é mencionado pela Polícia Federal em quatro oportunidades, o que não permite imputar qualquer responsabilidade ao ex-Governador”, diz a defesa de Ibaneis.

Encontro foi marcado a pedido do governador

O relatório se baseia em mensagens obtidas nos celulares de Paulo Henrique Costa e de Daniel Vorcaro, dono do Master. Atualmente, ambos estão presos.

Segundo a investigação, em:

De outubro de 2024 a fevereiro de 2025, segundo a PF, o BRB comprou R$ 9,52 bilhões em carteiras de crédito emitidas pelo Banco Master.

➡️ Em um ano, esse montante alcançaria R$ 16,7 bilhões [4], como já indicaram relatórios anteriores da PF sobre o caso.

Atuação de Ibaneis

Para a investigação, Ibaneis “não se limitou ao exercício regular de suas prerrogativas institucionais” e atuou de forma direta em quatro frentes:

  1. articulação com agentes privados.
  2. validação de “decisões operacionais críticas”;
  3. definição da estratégia de expansão do BRB;
  4. autorização dos montantes do aumento de capital;

“As comunicações demonstram que decisões estratégicas relevantes eram submetidas previamente à sua apreciação, antes mesmo de deliberação pelos órgãos formais de governança, evidenciando centralização decisória e interferência política direta na condução da instituição financeira pública”, diz a PF.

“Tal atuação é indicativa de captura institucional, na medida em que a estrutura de decisão do banco foi alinhada a interesses específicos, em detrimento dos princípios de impessoalidade, moralidade e interesse público”, seguem os investigadores.

‘Captura institucional’

A Polícia Federal conclui um dos relatórios afirmando que “o Banco Master passou a integrar, de forma indireta, a estrutura acionária do BRB”.

“[…] mediante utilização de fundos de investimento (notadamente Borneo, Verbier E Delta), estruturados com o propósito de ocultar o beneficiário final e evitar a caracterização formal de controle ou participação qualificada”.

Ainda sobre a participação de Ibaneis, a PF conclui que decisões estratégicas da relação BRB-Master eram submetidas à apreciação do então governador “antes mesmo de deliberação pelos órgãos formais de governança, evidenciando centralização decisória e interferência política direta na condução da instituição financeira pública”.

“Tal atuação é indicativa de captura institucional, na medida em que a estrutura de decisão do banco foi alinhada a interesses específicos, em detrimento dos princípios de impessoalidade, moralidade e interesse público”, conclui a PF.

O que diz a defesa de Ibaneis Rocha

“A defesa do ex-Governador Ibaneis Rocha recebeu com tranquilidade o relatório da Polícia Federal divulgado na data de hoje, o qual corrobora, mais uma vez, aquilo que é apontado por esta defesa desde o início. Ibaneis Rocha não pressionou e tampouco teve qualquer ingerência nas operações realizadas pelo BRB. Como se constata da leitura do documento, o ex-presidente do banco detinha total autonomia para condução das negociações em nome da instituição financeira. O contato com Ibaneis Rocha se deu em contexto natural, institucional e republicano, considerando os cargos ocupados por ambos.

Por fim, importante ressaltar que o próprio relatório demonstra que Ibaneis Rocha não é interlocutor direto em nenhuma mensagem com Daniel Vorcaro e seu nome somente é mencionado pela Polícia Federal em quatro oportunidades, o que não permite imputar qualquer responsabilidade ao ex-Governador.

Antônio Carlos de Almeida Castro, Kakay
Roberta Castro Queiroz
Marcelo Turbay Freiria
Liliane de Carvalho Gabriel
Álvaro Chaves
Ananda França de Almeida
Almeida Castro, Castro e Turbay Advogados”

Foto: Ed Alves/CB/D.A Press

Compartilhe:
[5] [6]